Banco do Brasil mantém alta moderada em bolsa, enquanto analistas reduzem projeções para BBAS3
As ações do Banco do Brasil acumulam ganhos modestos em 2026, mas perdem tração nas últimas sessões à medida que cresce a cautela do mercado sobre as perspectivas do banco estatal. O foco dos investidores permanece nas eleições e na qualidade da carteira de crédito, especialmente no agronegócio, enquanto grandes casas seguem com recomendação neutra para BBAS3.
Destaques
- JPMorgan corta projeção de lucro recorrente para Banco do Brasil em 2026 em 8%, para R$ 16,879 bilhões, e reduz preço-alvo para R$ 22.
- Itaú BBA eleva preço-alvo para BBAS3 de R$ 21 para R$ 23, mas mantém postura cautelosa devido à carteira do agronegócio e risco de provisão.
- Entre 11 casas, apenas três recomendam compra de BBAS3, com preço-alvo médio de R$ 23,45, refletindo preocupações com rentabilidade e influência política.
Revisões de projeções e preços-alvo para BBAS3
Como noticiou o InfoMoney Mercados, Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI reiteram visão cautelosa para os papéis do Banco do Brasil, mesmo com a ação subindo 3,7% no ano e 4,45% no mês. As revisões mais recentes mantêm recomendações neutras ou equivalentes e refletem um cenário ainda desafiador para a instituição.O JPMorgan revisa suas estimativas após os resultados do segundo trimestre de 2026 e passa a incorporar uma perspectiva mais difícil para o crédito ao agronegócio. Para 2026, o banco corta em 8% a projeção de lucro recorrente, para R$ 16,879 bilhões, o que representa queda anual de 18% e implica retorno sobre patrimônio líquido de cerca de 9%. Para 2027, a estimativa de lucro recorrente recua 12%, para R$ 23,524 bilhões, ainda apontando recuperação anual de 39% e ROE próximo de 12%.
Entre os fatores que pressionam as contas, o JPMorgan cita provisões mais altas, menor margem financeira de mercado e receitas mais fracas de participações societárias. O banco destaca ainda que a inadimplência de 90 dias em cartões de crédito avança 7,5 pontos percentuais no último trimestre, e que suas projeções ficam 2% e 6% abaixo do consenso da Bloomberg para 2026 e 2027, respectivamente. Com isso, reduz o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 25 para R$ 22 por ação e mantém recomendação neutra.
O Itaú BBA, por sua vez, eleva levemente o preço-alvo de R$ 21 para R$ 23 e preserva a recomendação marketperform. A casa afirma que faz apenas ajustes pontuais nas projeções, uma vez que suas premissas de provisão seguem acima do guidance do banco.
Crédito rural e eleições sustentam cautela do mercado
A principal incerteza apontada pelo Itaú BBA continua na carteira do agronegócio, cuja trajetória depende em parte da adesão à MP 1.376. A administração do Banco do Brasil projeta custo de risco abaixo de 5% em 2027, mas o mercado ainda monitora a capacidade de estabilização dessa carteira em um ambiente de maior sensibilidade para a qualidade dos ativos.O Bradesco BBI também mantém recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 20, em análise que aponta desaceleração dos programas governamentais no quarto trimestre de 2026. O posicionamento das casas acompanha um sentimento mais conservador entre analistas ouvidos pela Reuters: de 11 instituições consultadas, apenas três recomendam compra, seis adotam posição neutra e duas indicam venda. O preço-alvo médio apurado fica em R$ 23,45.
Esse quadro sugere que o desempenho recente da ação ainda não é suficiente para afastar dúvidas sobre rentabilidade, custo de risco e influência do ambiente político sobre o banco estatal. Assim, BBAS3 segue apoiada pelo interesse eleitoral de curto prazo, mas com espaço limitado para uma reavaliação mais positiva enquanto as incertezas operacionais persistem.
Na nossa análise anterior sobre o histórico de BBAS3 em ciclos de eleições presidenciais, mostramos como a corrida ao Planalto costuma aumentar a volatilidade e a atenção do mercado ao Banco do Brasil, pela possibilidade de mudanças na percepção sobre interferência estatal e estratégia. Também destacamos que, apesar de a ação ter fechado a maioria dos anos eleitorais entre 2002 e 2022 em alta, o resultado depende do equilíbrio entre o ambiente político e a capacidade do banco de sustentar fundamentos como crédito e rentabilidade.
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