PS propõe regras para entradas do Estado em privadas após compra da REN

PS propõe regras para entradas do Estado em privadas após compra da REN
Regras do Estado em privadas

Na sequência da aquisição de 13,7% da REN pela Parpública, o PS prepara uma iniciativa legislativa para definir critérios mais apertados para a entrada ou reforço do Estado em empresas privadas. A proposta surge enquanto os socialistas dizem manter dúvidas sobre a origem, a avaliação e o escrutínio aplicado à operação.

Destaques

  • O PS, liderado por Eurico Brilhante Dias, propõe reforçar o escrutínio parlamentar e institucional sobre a recente compra da participação estatal na REN pela Parpública.
  • Brilhante Dias defende que municípios devem beneficiar mais diretamente das receitas de projetos renováveis, sem penalizar o setor, alinhando a repartição económica com a transição energética.
  • O PS sugere reduzir a carga fiscal sobre combustíveis—com preços acima de dois euros por litro—via diminuição do IVA ou descida do ISP equivalente a dez pontos percentuais de IVA.

Iniciativa para reforçar escrutínio

Em entrevista ao Jornal de Negócios, em parceria com a Renascença, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, afirma que continuam por esclarecer as circunstâncias em que foi desencadeada a compra da participação na REN pela Parpública.

O dirigente socialista diz que "ninguém percebe aquela aquisição" e questiona se a iniciativa de compra partiu do Estado ou do vendedor. Brilhante Dias levanta também dúvidas sobre o processo de avaliação da posição adquirida, referindo a notícia de que o Governo terá contratado o Caixa BI para confirmar um valor proposto pelo vendedor.

Segundo o líder parlamentar, operações desta natureza devem ter maior escrutínio, incluindo no Parlamento e eventualmente noutras entidades. Entre as instituições que poderão ter intervenção, aponta o Conselho das Finanças Públicas, defendendo que uma operação deste tipo não deve avançar apenas com uma única avaliação.

Energia e combustíveis no foco político

Sobre o setor das renováveis, Brilhante Dias defende que os territórios onde os projetos estão instalados devem beneficiar mais diretamente do valor gerado. Questionado sobre a proposta de José Luís Carneiro para aumentar a participação dos municípios nas receitas das renováveis, rejeita que isso represente uma inversão da linha seguida por anteriores governos socialistas.

O dirigente sublinha que o PS não quer penalizar as energias renováveis, mas sim garantir que parte do valor criado permanece nas regiões onde os projetos estão implantados. A posição insere-se no debate sobre a repartição dos ganhos económicos associados à transição energética.

Brilhante Dias volta ainda a defender uma redução da carga fiscal sobre os combustíveis, num momento em que gasolina e gasóleo superam os dois euros por litro. Como vias possíveis, aponta uma redução do IVA mediante acordo com Bruxelas ou, em alternativa, uma descida do ISP equivalente a dez pontos percentuais de IVA, solução que recorda já ter sido usada pelo PS quando estava no Governo.

Na nossa publicação anterior sobre o debate parlamentar de urgência do PS sobre o custo de vida, destacámos a pressão dos socialistas para levar o tema ao plenário, com foco nos preços dos combustíveis, no cabaz alimentar e nas prestações bancárias. O texto sublinhou que o objetivo era forçar a participação do Governo e enquadrou a estratégia do PS para reunir apoio no Parlamento e pressionar medidas do lado da despesa e da receita.

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