Black Friday no Brasil deve movimentar R$ 13,3 bilhões, com crise no varejo a redistribuir vendas
A Black Friday de 2026 deve gerar R$ 13,3 mil milhões no comércio eletrónico brasileiro entre 26 e 29 de novembro, num avanço anual de 20,7%. A previsão surge num contexto de pressão financeira sobre grandes retalhistas, o que pode alterar a repartição das vendas sem necessariamente reduzir a dimensão total do evento.
Destaques
- Black Friday 2023 no Brasil deve movimentar R$ 13,3 bilhões com a venda de 69,4 milhões de produtos, crescimento de 15,4% em relação ao ano anterior.
- A retração de grandes varejistas como Casas Bahia e Marabraz, em recuperação judicial, está redistribuindo demanda para concorrentes com maior capacidade de estoque, preço e publicidade.
- A previsão de alta de 20,7% nas vendas online já considera a absorção do volume dessas empresas em crise, mas cortes em publicidade podem limitar o impacto positivo.
Projeção de vendas e mudança na concorrência
Como noticiou a Exame Mercados, a estimativa foi apresentada esta terça-feira, 13, pela Confi, através da plataforma de inteligência de mercado Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil, durante um evento na sede da entidade, em São Paulo. O levantamento aponta para a venda de 69,4 milhões de produtos nos quatro dias da campanha, o que representa um crescimento de 15,4% face ao mesmo período do ano anterior.O cenário combina expansão do comércio eletrónico com uma alteração no padrão concorrencial entre os retalhistas. Enquanto grandes grupos enfrentam dificuldades financeiras e recorrem à recuperação judicial, outros operadores podem absorver parte da procura, desde que consigam responder com stock, preços competitivos e investimento em publicidade.
Segundo Pedro Chiamulera, CEO da Confi, os retalhistas em recuperação judicial perderam quota de mercado de forma acelerada no terceiro trimestre. Ainda assim, o comércio eletrónico fatura R$ 322,6 mil milhões entre janeiro e setembro, e, nas palavras do executivo, a procura não desaparece, mas muda de loja.
Léo Bicalho, head da Neotrust, afirma que a recuperação judicial de grandes retalhistas não significa, por si só, um crescimento menor do comércio eletrónico no agregado. A projeção de alta de 20,7% já considera que as vendas não realizadas por empresas em crise continuam a ser absorvidas pelo restante mercado.
Impacto da crise no retalho brasileiro
A pressão sobre o retalho brasileiro atinge sobretudo empresas direcionadas para consumidores de rendimento médio e baixo, num ambiente marcado por juros elevados, crédito restrito e endividamento das famílias. Os pedidos de recuperação judicial de redes como Casas Bahia e Marabraz ilustram as dificuldades de companhias que precisam de gerir dívida e gerar caixa em condições macroeconómicas adversas.Para o mercado financeiro, porém, o momento é menos uma crise generalizada e mais um processo de reorganização do setor, separando empresas com estruturas financeiras mais frágeis daquelas com operações mais eficientes. Na principal data do retalho online, essa reorganização tende a influenciar quem vende mais, mais do que o volume total vendido.
Outro risco está na publicidade. A redução dos investimentos em comunicação por grandes retalhistas pode diminuir a visibilidade das promoções, reduzir o tráfego e enfraquecer a perceção de oportunidade entre os consumidores, afetando a atração para o evento como um todo.
Se essa migração de procura não ocorrer de forma integral durante a Black Friday, o resultado pode ficar abaixo da projeção. Isso é particularmente relevante num período associado a compras planeadas e produtos de maior valor, em que parte dos consumidores procura campanhas e lojas específicas e pode não encontrar ofertas equivalentes noutros operadores.
Na nossa análise anterior sobre as apostas do BTG para o varejo brasileiro no 3º trimestre, destacámos como o banco separou empresas mais resilientes de nomes que poderiam reagir melhor a uma eventual queda dos juros e melhora do crédito. Também chamámos atenção para o efeito da fragilidade financeira da Casas Bahia na dinâmica concorrencial, ao potencialmente aliviar a pressão sobre rivais como a Magazine Luiza e favorecer uma migração de procura dentro do setor.
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