Operação Hermes mantém pressão judicial sobre suspeito ligado a fraude do IVA
A libertação de um dos suspeitos da Operação Hermes reacende dúvidas sobre o alcance de um processo que investiga um esquema de fraude ao IVA com impacto de centenas de milhões de euros. Rui Dinis continua sob várias suspeitas, incluindo burla e alegadas ligações a crime violento, enquanto fica obrigado a apresentações semanais às autoridades.
Destaques
- Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa libertou Rui Dinis da Operação Hermes, impondo-lhe apenas apresentação semanal na polícia.
- Operação Hermes investiga fraude do IVA com prejuízo detetado de 150 milhões de euros, envolvendo 40 detidos em Portugal e 23 em Espanha e Itália.
- Rui Dinis enfrenta ainda outras investigações por alegadas burlas em vendas falsas de carros e imóveis, incluindo esquema envolvendo mais de 40 compradores de apartamentos.
Investigação da PJ do Porto e medidas aplicadas
Como noticiou o Correio da Manhã, Rui Dinis, um dos suspeitos detidos na Operação Hermes, sai em liberdade por decisão do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa e passa a estar sujeito à obrigação de se apresentar semanalmente no posto policial mais próximo de casa.Depois de ser libertado, o suspeito publica nas redes sociais várias mensagens de provocação dirigidas às autoridades. O caso insere-se numa investigação da Polícia Judiciária do Porto sobre um esquema de carrossel do IVA, no qual Rui Dinis é apanhado no chamado processo mais pequeno, que leva a cinco detenções.
A mesma estrutura da PJ do Porto, liderada por Pedro Machado, conduz também a Operação Admiral. No primeiro caso estava em causa, segundo o texto, uma fraude ao Estado superior a 200 milhões de euros, enquanto na Operação Hermes já foi detetado um rombo de 150 milhões.
Outras suspeitas e impacto do caso
Além da vertente fiscal, Rui Dinis enfrenta várias investigações pendentes relacionadas com alegadas burlas, incluindo vendas de carros e de casas que nunca são entregues ou construídas. O texto refere ainda que vivia com sinais exteriores de luxo, embora pelo menos dois carros de elevado valor apreendidos em Braga não estivessem em seu nome.Uma das queixas relatadas envolve a venda de um Porsche, pelo qual um comprador diz ter pago mais de 50 mil euros sem receber o veículo, quatro anos depois. Noutro processo, Rui Dinis é acusado de burlar mais de 40 compradores de apartamentos, incluindo negócios sobre terrenos que, segundo o texto, nem lhe pertencem.
A Operação Hermes atinge também outros empresários, entre eles Miguel Ribeiro, gerente da Castro Electrónica, que fica em prisão preventiva, e Jorge Torres, da Plenitudeangular. As escutas citadas no texto descrevem um circuito concertado entre operadores comerciais que procuravam faturar sem entregar o imposto ao Estado, num esquema que abrange 40 detidos em Portugal e mais 23 em Espanha e Itália.
Na nossa publicação anterior sobre as buscas por suspeitas de fraude no IMT, explicámos que a Polícia Judiciária e a Autoridade Tributária investigavam alegados mecanismos de circulação de imóveis através de sociedades para obter isenções fiscais indevidas, com prejuízos de milhões para o Estado. O inquérito, conduzido pelo DCIAP, abrangia diligências em empresas, residências e instituições financeiras e estava ligado a operações imobiliárias de elevado valor em Lisboa.
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