Marcas chinesas de carros elétricos reforçam pressão sobre preços no mercado automóvel português

Marcas chinesas de carros elétricos reforçam pressão sobre preços no mercado automóvel português
Elétricos chineses mudam tudo

A concorrência dos fabricantes chineses de veículos elétricos está a alterar o mercado automóvel em Portugal, com impacto direto nos preços, na oferta e nas decisões de compra. O avanço de grupos como a BYD aproxima o mercado ibérico de uma nova fase competitiva, ao mesmo tempo que obriga construtores ocidentais como a Ford a rever estratégia, custos e calendário de lançamentos.

Destaques

  • BYD vendeu 4,6 milhões de veículos em 2025, incluindo 2,26 milhões elétricos puros, superando Volkswagen na China e aumentando a pressão competitiva.
  • A BYD já é a segunda maior marca de veículos elétricos em Portugal, crescendo mais de 100% em termos homólogos, aproximando-se dos líderes Tesla Model Y e Model 3.
  • A pressão das marcas chinesas força descida de preços, campanhas de financiamento agressivas e descontos sobre inventários de 2025-2026, enquanto fabricantes ocidentais aceleram respostas tecnológicas e de custos.

Concorrência chinesa acelera mudança no setor

Como noticiou o ThePortugalPost, o presidente executivo da Ford, Jim Farley, usa há vários meses um Xiaomi SU7 importado para Chicago e apresenta o modelo como um sinal claro da pressão competitiva que a indústria automóvel ocidental enfrenta. Numa entrevista em podcast com Bob Safian, o gestor afirma que a principal referência já não é a Tesla, mas sim os fabricantes chineses, numa altura em que considera que a marca norte-americana não dispõe de modelos suficientemente atualizados.

Farley descreve o Xiaomi SU7 como um concorrente particularmente forte pela combinação entre automóvel e tecnologia de consumo. O modelo, produzido pela divisão automóvel da Xiaomi, vende entre 10 mil e 20 mil unidades por mês na China e mantém uma lista de espera de seis meses, apoiado numa marca com forte presença no ecossistema digital e móvel.

A Ford vê, no entanto, a BYD como o padrão industrial mais difícil de igualar. A fabricante chinesa superou a Volkswagen em volume no mercado chinês e vendeu 4,6 milhões de veículos em 2025, incluindo 2,26 milhões de elétricos puros, muito acima das 1,64 milhões de entregas da Tesla. Segundo Farley, a vantagem da BYD assenta no controlo da cadeia de abastecimento, na integração vertical e na capacidade de reduzir custos de baterias através de tecnologia LFP e, mais recentemente, de baterias de ião de sódio.

Impacto em Portugal e resposta dos fabricantes ocidentais

Em Portugal, essa pressão competitiva já se faz sentir com a BYD a consolidar-se como a segunda maior marca de elétricos, atrás dos modelos Tesla Model Y e Model 3, mas com ritmos de crescimento superiores a 100% em termos homólogos. Na Península Ibérica, a Tesla ainda mantém uma liderança estreita nas vendas de veículos 100% elétricos, embora a expansão comercial e a política de preços da BYD estejam a reduzir essa distância.

Para os compradores em Portugal, o efeito mais imediato tende a ser uma maior pressão descendente sobre preços, campanhas de financiamento mais agressivas e descontos adicionais sobre inventário de 2025 e 2026. Ao mesmo tempo, persistem dúvidas sobre valor residual, rede de assistência e disponibilidade futura de peças em algumas marcas chinesas mais recentes, mesmo com a rede de carregamento rápido a continuar a expandir-se no país.

A resposta da Ford passa por desenvolver uma plataforma universal para veículos elétricos com preços em torno de 28 mil euros, com chegada prevista aos concessionários em 2027. A empresa procura reduzir custos com baterias mais pequenas, melhor aerodinâmica e ganhos de produção, numa tentativa de competir com a estrutura de preços chinesa sem repetir erros anteriores em projetos elétricos. O setor europeu continua ainda exposto ao risco regulatório, uma vez que alterações nas tarifas anti-subsídios da União Europeia podem mudar rapidamente o custo de importação e a dinâmica concorrencial em mercados como o português.

Na nossa publicação anterior sobre os apoios do Fundo Ambiental para a compra de veículos 100% elétricos, explicámos que Portugal prepara uma nova janela de candidaturas em maio ou junho, com incentivos até 4.000 euros para carros abaixo de 38.500 euros, mediante abate de uma viatura antiga. Detalhámos ainda que, com 17,63 milhões de euros disponíveis e benefícios como isenção de ISV e IUC, a verba pode esgotar-se rapidamente e acelerar decisões de compra. O texto também apontava que a expansão de marcas chinesas como a BYD tende a alargar a oferta e a pressionar preços, financiamento e valores residuais no mercado nacional.

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