Portugal enfrenta risco de défice elétrico na próxima década, indica relatório da DGEG
A fiabilidade do sistema elétrico português continua sob pressão depois do apagão de 28 de abril de 2025 ter exposto fragilidades na rede. Um novo relatório aponta que, sem melhorias na operação, o país poderá ter de limitar parte do consumo em várias horas por ano devido à insuficiência da oferta face à procura.
Destaques
- Relatório da DGEG aponta que Portugal enfrentará défice elétrico já em 2024, sem atingir o mínimo de fiabilidade até 2034 em todos os cenários.
- O desequilíbrio entre oferta e procura poderá atingir 12,8 horas anuais, superando o défice estimado de 1,45 horas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
- O risco de rutura e necessidade de cortes parciais no consumo ameaça a competitividade industrial, impactando investimentos e planejamento energético nacional.
Relatório aponta rutura já este ano
Como noticiou o Expresso, o relatório mais recente da Direção-Geral de Energia e Geologia conclui que Portugal não cumpre, em nenhum cenário traçado para a próxima década, o valor mínimo de fiabilidade do sistema elétrico.A avaliação indica que o risco identificado após o apagão não desaparece e que o ponto de rutura surge já este ano. Segundo o documento, se a operação da rede não melhorar, a oferta disponível fica aquém da procura em várias horas do ano, num contexto em que o consumo elétrico tem aumentado e deverá continuar a crescer.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos fixou um défice expectável de 1,45 horas anuais entre oferta e procura, mas o relatório da DGEG aponta para um desequilíbrio de 12,8 horas por ano. O documento apresenta ainda diferentes hipóteses de evolução, entre uma trajetória conservadora e outra ambiciosa.
Impacto para a indústria e para a economia
O diagnóstico surge num momento em que a energia é apresentada como um fator competitivo para a localização industrial em Portugal, mas a pressão sobre a rede introduz um risco operacional relevante para empresas com consumo intensivo de eletricidade.Se não houver reforço da fiabilidade do sistema, a necessidade de cortes parciais no consumo pode afetar a previsibilidade do fornecimento e aumentar a incerteza para investimento industrial e para o planeamento energético do país. Esse quadro tende também a agravar o desafio de acomodar uma procura crescente sem comprometer a segurança de abastecimento.
Na nossa publicação, analisámos como a energia tem sido apresentada como uma das principais vantagens de Portugal para atrair investimento industrial, com empresas a ponderarem custos, estabilidade e capacidade de abastecimento. O texto também enquadrou medidas de apoio às empresas mais expostas à subida dos custos de energia, incluindo uma linha de crédito de emergência e iniciativas para acelerar renováveis e contratos de eletricidade a preço fixo.
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