B3 registra saída de estrangeiros após eleição e reduz saldo comprador no Brasil

B3 registra saída de estrangeiros após eleição e reduz saldo comprador no Brasil
Saída de estrangeiros na B3

O fluxo externo para a bolsa brasileira perde força no fim de outubro, depois de um início de mês marcado por entradas expressivas após o primeiro turno. No primeiro pregão após a vitória de Lula no segundo turno, investidores estrangeiros retiram R$ 2,85 bilhões da B3, ampliando a pressão vendedora observada nas sessões anteriores.

Destaques

  • Investidor estrangeiro retirou R$ 2,85 bilhões da B3 na segunda-feira, 26, terceira maior saída diária de 2026 após eleição presidencial.
  • Em três pregões recentes (22, 23 e 26 de outubro), saídas líquidas de estrangeiros totalizaram R$ 6,82 bilhões, revertendo forte aporte após o primeiro turno.
  • Saldo anual de estrangeiros na B3 segue positivo em R$ 40,73 bilhões até 26 de outubro, abaixo do pico de R$ 69,07 bilhões em 14 de abril.

Fluxo externo recua após o segundo turno

Como mostrou a Exame Mercados, com base em dados da B3, o investidor estrangeiro retirou R$ 2,85 bilhões da bolsa brasileira na segunda-feira, 26, no primeiro pregão após a definição da eleição presidencial. O movimento representa a terceira maior saída diária de capital externo em 2026 e aprofunda a reversão vista no fim da semana anterior.

Na sexta-feira, 23, último pregão antes da votação, os estrangeiros já haviam sacado R$ 2,94 bilhões, na segunda maior retirada do ano, atrás apenas dos R$ 4,72 bilhões de 11 de agosto. Somadas, as duas sessões acumulam vendas líquidas de R$ 5,79 bilhões. Incluindo a quinta-feira, 22, quando houve saída de R$ 1,03 bilhão, o total chega a R$ 6,82 bilhões em três pregões.

Na direção oposta, o início de outubro havia mostrado um apetite muito mais forte pelo mercado brasileiro. No pregão de 5 de outubro, logo após o primeiro turno, o investidor estrangeiro colocou R$ 10,06 bilhões na B3, o maior aporte diário do ano, acima dos R$ 8,40 bilhões registrados em 9 de abril.

Pessoa física sustenta compras e saldo anual segue positivo

Na segunda-feira, a pessoa física absorveu a maior parte das vendas e comprou R$ 6,19 bilhões em ações, o maior volume diário da categoria em 2026. Os investidores institucionais venderam R$ 3,34 bilhões, enquanto as instituições financeiras retiraram R$ 439 milhões; o grupo classificado como outros teve compras líquidas de R$ 437 milhões.

No pregão de 5 de outubro, a dinâmica havia sido diferente entre os agentes locais. Naquela sessão, a pessoa física ficou na ponta vendedora, com saída de R$ 5,30 bilhões, a maior venda diária do segmento no ano, enquanto os institucionais venderam R$ 3,96 bilhões.

Apesar da retirada recente, o investidor estrangeiro ainda mantém entrada líquida de R$ 13,34 bilhões em outubro até o dia 26. No acumulado de 204 pregões até essa data, o saldo permanece positivo em R$ 40,73 bilhões, embora abaixo do pico de R$ 69,07 bilhões registrado em 14 de abril. A redução do fôlego no segundo semestre tem como destaque agosto, quando houve saída de R$ 18,12 bilhões; às vésperas do primeiro turno, em 2 de outubro, o saldo anual estava em R$ 29,95 bilhões.

Na nossa matéria anterior sobre a forte entrada de capital estrangeiro na B3 após o primeiro turno, destacámos que entre 5 e 9 de outubro o fluxo externo somou R$ 13,15 bilhões, impulsionado sobretudo pelo aporte de cerca de R$ 10 bilhões no pregão de 5 de outubro. Também apontámos a avaliação da XP de que ainda haveria espaço para aumentar a alocação em ações no Brasil — tanto por investidores internacionais quanto locais — num cenário de juros em queda e potencial rotação setorial.

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