Gerdau tem recomendação elevada pelo Itaú BBA e ações avançam com revisão de preço-alvo

Gerdau tem recomendação elevada pelo Itaú BBA e ações avançam com revisão de preço-alvo
Gerdau em alta após upgrade

A melhora do cenário operacional da Gerdau, especialmente na América do Norte, reforça a percepção de maior potencial de valorização para as ações da siderúrgica. Neste contexto, os papéis GGBR4 sobem 4,23% às 10h53 desta quinta-feira, após a revisão da recomendação e do preço-alvo para o fim de 2027.

Destaques

  • Itaú BBA elevou a recomendação das ações da Gerdau para outperform e aumentou o preço-alvo de R$ 29 para R$ 31 para 2027, potencial de valorização de 29%.
  • Margem EBITDA da operação norte-americana da Gerdau alcançou 27,7% no 3º trimestre, maior nível desde 2022, impulsionando a projeção de EBITDA para R$ 10,3 bilhões em 2027.
  • Projeções revisadas indicam EBITDA de R$ 14,2 bilhões e dividend yield próximo de 9% em 2027, com valuation de 3,6x EV/EBITDA ainda considerado atrativo.

Revisão de tese com foco na operação norte-americana

Conforme noticiado pelo InfoMoney Mercados, o Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da Gerdau de marketperform para outperform, equivalente a compra, e aumentou o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 29 para R$ 31 por ação. O novo valor implica potencial de valorização de cerca de 29% em relação aos níveis atuais.

Na avaliação do banco, a combinação entre fundamentos mais fortes e a queda recente das ações voltou a tornar a relação risco-retorno mais atrativa. Desde o rebaixamento da companhia em agosto, os papéis acumulam desempenho inferior ao Ibovespa, enquanto o ambiente operacional evolui de forma favorável, sobretudo nos U.S.

A principal mudança na tese está ligada ao desempenho da divisão norte-americana, responsável por cerca de três quartos do EBITDA consolidado da companhia. A margem EBITDA da operação nos U.S. alcança 27,7% no terceiro trimestre, o maior nível desde 2022, sustentada por reajustes de preços em produtos longos, vigas e vergalhões, além de uma carteira de pedidos superior a 100 dias.

Diante desse quadro, o Itaú BBA eleva sua projeção para a margem EBITDA da operação norte-americana em 2027 para 24,6%, ante 21,3% anteriormente. A estimativa de EBITDA da região passa para R$ 10,3 bilhões.

Impacto nas projeções e riscos no Brasil

A leitura mais positiva sobre a América do Norte leva o banco a revisar para cima suas projeções financeiras para a siderúrgica. O Itaú BBA agora estima EBITDA de R$ 13,7 bilhões em 2026 e de R$ 14,2 bilhões em 2027, altas de 4,7% e 2,4% sobre as previsões anteriores, respectivamente.

O banco também destaca que a Gerdau está entre as empresas mais dolarizadas de sua cobertura, com cerca de 73% do EBITDA vindo da América do Norte. Nesse cenário, um real mais fraco tende a beneficiar a companhia e a funcionar como proteção natural contra a volatilidade doméstica.

Apesar do maior otimismo com os negócios internacionais, a operação brasileira continua a ser o ponto mais frágil da tese de investimento. Os analistas reduzem a estimativa de margem EBITDA no Brasil em 2027 para 11,7%, ante 14,4% antes, refletindo recuperação mais lenta da demanda doméstica, pressão de juros elevados e inflação, além de expectativas mais conservadoras para os ganhos do projeto Miguel Burnier.

As projeções também indicam geração robusta de caixa, com rendimento de fluxo de caixa livre de cerca de 12% em 2027 e dividend yield próximo de 9%. Segundo o relatório, a companhia mantém uma política de alocação de capital favorável aos acionistas, com dividendos e recompras de ações já acima de R$ 1,8 bilhão em 2026, enquanto o valuation de cerca de 3,6 vezes EV/EBITDA projetado para 2027 ainda não refletiria plenamente a melhora operacional da empresa.

Na nossa cobertura anterior sobre a agenda económica da semana, analisámos uma sessão marcada por decisões políticas na UE, divulgação de indicadores de inflação e atividade, e emissões de dívida soberana. Também destacámos como estes eventos, juntamente com o avanço da época de resultados (com foco na banca nos EUA), influenciavam as expectativas para as taxas de juro e o sentimento dos investidores.

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