José Antonio  Gastelum

Portugal eleva importações líquidas de eletricidade e mantém renováveis em 62% do consumo

Portugal eleva importações líquidas de eletricidade e mantém renováveis em 62% do consumo
Renováveis dominam consumo

Portugal combina uma forte presença de fontes renováveis com um recurso recorde a importações líquidas de eletricidade nos primeiros dez meses de 2026. O aumento do consumo e condições menos favoráveis para a produção hídrica e eólica em outubro ajudam a explicar a maior dependência externa no período.

Destaques

  • Entre janeiro e outubro, renováveis abastecem 62% do consumo elétrico em Portugal, enquanto o saldo importador atinge um recorde de 24%.
  • Em outubro, exportações de gás pela interligação com Espanha representam cerca de dois terços do consumo nacional, atingindo máximos históricos para o período.
  • O terminal de GNL de Sines garante o abastecimento nacional de gás em outubro, com Nigéria responsável por 54%, EUA por 39% e Rússia por 7% das importações.

Mix elétrico e dependência externa em 2026

Como noticiou o Jornal de Negócios, com base em dados divulgados esta segunda-feira pela REN, as energias renováveis abastecem 62% do consumo de eletricidade em Portugal entre janeiro e outubro, enquanto o saldo importador atinge 24%, a quota mais elevada de sempre para este período.

As centrais hidroelétricas e eólicas asseguram, cada uma, 22% do consumo nacional. A energia solar representa 13%, após um aumento de produção de 10% face ao mesmo período do ano passado, e a biomassa contribui com 5%. A produção a partir de gás natural cobre 14% do consumo.

O consumo de eletricidade aumenta 3% em termos homólogos nos primeiros dez meses do ano, ou 2,5% depois de corrigidos os efeitos da temperatura e do número de dias úteis. Em outubro, porém, o consumo regista uma ligeira redução de 0,2% face ao mesmo mês de 2025, tanto em termos brutos como corrigidos.

Nesse mês, a produção renovável assegura apenas 47% do consumo nacional e a produção não renovável representa 13%. Os restantes 40% são cobertos por importações líquidas, num contexto de menor produtividade hídrica e eólica, com índices de 0,58 e 0,61, abaixo da média histórica de referência de 1, enquanto a produção solar apresenta um índice de 1,05.

Queda do gás natural e peso de Sines no abastecimento

No mercado do gás natural, o consumo nacional recua 20,5% em outubro face ao mesmo mês do ano anterior. O segmento de produção elétrica cai 27%, enquanto o consumo convencional, que inclui indústria e consumidores domésticos, diminui 17%.

No acumulado de janeiro a outubro, o consumo de gás natural desce 1,8%, com uma redução de 2,8% no segmento convencional. O abastecimento nacional em outubro é assegurado exclusivamente através do terminal de gás natural liquefeito de Sines.

No mesmo mês, Portugal exporta pela interligação com Espanha um volume de gás equivalente a cerca de dois terços do consumo nacional. Entre janeiro e outubro, o sistema nacional é abastecido quase integralmente por Sines, com a Nigéria a representar 54% do gás recebido, seguida dos U.S. com 39% e da Rússia com 7%; o saldo exportador através da ligação com Espanha atinge o valor mais elevado de sempre para este período.

Na nossa publicação, já analisámos a forte incorporação de eletricidade renovável em Portugal continental, com mais de 70% da produção em setembro assente em eólica, hídrica e solar. O artigo destacou ainda as poupanças associadas à menor necessidade de importações e às emissões evitadas, bem como o aumento da capacidade instalada renovável como fator de reforço da independência energética.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.