Banco de dados de argumentos de IA criado para rebater os céticos do Bitcoin
Um grupo de entusiastas do Bitcoin lançou uma nova ferramenta de código aberto baseada em inteligência artificial. Ela ajuda a esclarecer equívocos comuns sobre o impacto ambiental do Bitcoin, o consumo de energia na mineração e o papel do ativo no sistema financeiro.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
A plataforma educacional Bitcoin Beyond 66, sediada na região nórdica, afirmou ter criado a “The Bitcoin Evidence Base” em meio a um número crescente de estudos revisados por pares sobre os potenciais benefícios da mineração de Bitcoin para os sistemas energéticos e o meio ambiente. Ao mesmo tempo, segundo a equipe, a percepção pública ainda é fortemente influenciada por dados desatualizados, estudos metodologicamente fracos e uma simples falta de conhecimento.
O banco de dados foi projetado para oferecer aos usuários acesso rápido a informações relevantes e verificadas sobre a mineração de Bitcoin e tópicos relacionados. Ele pode ser usado para responder a publicações nas redes sociais cujos autores, consciente ou inconscientemente, divulgam alegações incorretas sobre o Bitcoin.
O Bitcoin Beyond 66 explicou que o principal problema é a falta de tempo: a maioria das pessoas não tem a oportunidade de ler dezenas de artigos revisados por pares, relatórios de Cambridge e dados da ERCOT. Quando alguém publica críticas nas redes sociais, os usuários precisam de uma resposta rápida, mas confiável.
O impacto ambiental da mineração de Bitcoin vem sendo debatido há mais de uma década. Críticos, incluindo alguns representantes das Nações Unidas e de governos, apontam para a possível contribuição da mineração para o aquecimento global. No entanto, defensores do Bitcoin focados na agenda ambiental, como Daniel Batten, argumentam que muitos argumentos antigos já estão ultrapassados, pois a mineração utiliza cada vez mais fontes de energia de baixo carbono e renováveis.
O Bitcoin Evidence Base funciona da seguinte maneira: um usuário insere uma afirmação crítica ou adiciona um link, e a ferramenta gera uma resposta com base em pesquisas e dados disponíveis. De acordo com a Cointelegraph, o serviço cita regularmente um estudo da Universidade de Cambridge de abril de 2025 que mostra que mais de 52% do Bitcoin é agora minerado utilizando fontes de energia renováveis.
A base de dados afirma também que a quota de energia renovável na mineração de Bitcoin é superior à do setor bancário. Além disso, refere que mais de 22 estudos revistos por pares descrevem os benefícios ambientais do Bitcoin.
Como responder às críticas ao Bitcoin
O Bitcoin Beyond 66 afirmou que o banco de dados de IA utiliza a abordagem de comunicação de Daniel Batten. Seu objetivo é combater a desinformação sobre o Bitcoin não com agressividade, mas com fatos e empatia.
Essa abordagem sugere primeiro reconhecer qual parte da crítica pode ter sido válida no passado e, somente então, explicar por que as suposições atuais podem estar desatualizadas ou incompletas. O objetivo dessa resposta não é “derrotar” um oponente em uma discussão, mas explicar o assunto para essa pessoa e para um público mais amplo.
O Bitcoin Beyond 66 observa que tentar “destruir” alguém publicamente em um debate apenas provocará uma reação defensiva e não produzirá nenhum resultado.
A ferramenta oferece três opções de tom para responder às críticas: direto, equilibrado e suave.
Os usuários também podem ajudar a desenvolver o banco de dados enviando artigos científicos e links de sites para o Bitcoin Beyond 66. A equipe analisará os materiais antes de adicioná-los ao sistema.
Os principais críticos do Bitcoin
O Bitcoin tem muitos críticos. A maioria deles são defensores de ativos tradicionais e do sistema financeiro existente. Um dos exemplos mais conhecidos é o economista e defensor do ouro Peter Schiff. Ele costuma chamar o Bitcoin de ativo especulativo, critica a ideia de “ouro digital” e compara o BTC com o ouro físico, que, em sua opinião, tem valor comprovado historicamente. Argumentos semelhantes também têm sido apresentados ao longo dos anos por representantes das finanças tradicionais, incluindo banqueiros e gestores de ativos: eles apontaram a volatilidade do Bitcoin, a falta de valor intrínseco e os riscos para os investidores.
Outra importante linha de crítica está há muito relacionada ao meio ambiente. O Greenpeace EUA, juntamente com outras organizações, lançou a campanha “Change the Code, Not the Climate” (Mude o Código, Não o Clima), pedindo que o Bitcoin abandone o mecanismo Proof-of-Work, que consome muita energia, e reduza o impacto climático da mineração. Os ambientalistas argumentaram que a mineração consome muita eletricidade e pode aumentar as emissões se depender de combustíveis fósseis. Os defensores do Bitcoin respondem que essa crítica muitas vezes se baseia em dados desatualizados, enquanto a mineração em si está cada vez mais utilizando energia renovável e de baixo carbono.
Vale lembrar que, no ano passado, o governo norueguês anunciou planos para introduzir novas regras destinadas a combater a mineração de criptomoedas.
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