China lança centro de e-CNY para impulsionar pagamentos transfronteiriços em blockchain
A China está acelerando a internacionalização de seu yuan digital (e-CNY), mudando o foco da adoção doméstica para o uso internacional.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Em 18 de junho, durante o Fórum Lujiazui em Xangai, Pan Gongsheng, Governador do Banco Popular da China, anunciou a criação de um centro de operações internacionais para o e-CNY. O centro testará ferramentas de financiamento comercial baseadas em blockchain e otimizará as liquidações internacionais.
O compromisso de Pequim com o projeto se reflete em sua designação como uma das oito principais reformas do país. Em seu discurso, Pan reconheceu que as stablecoins e os CBDCs estão reformulando a infraestrutura de pagamento tradicional, posicionando o yuan digital como uma alternativa apoiada pelo Estado que aproveita a eficiência do blockchain sem adotar a descentralização.
O estabelecimento do novo hub e-CNY com sede em Xangai marca o pivô da China de um piloto puramente doméstico para uma ferramenta estratégica internacional.
Apesar de quatro anos de programas-piloto em 29 cidades, o yuan digital continua sendo um nicho, representando apenas 0,16% do volume total de pagamentos da China em meados de 2025 - muito atrás dos gigantes privados Alipay e WeChat Pay. Até mesmo os incentivos do governo, como os lançamentos aéreos gratuitos, não conseguiram mudar significativamente o comportamento do consumidor.
Um pivô estratégico no exterior
No entanto, a China vê seu CBDC como um projeto de infraestrutura de longo prazo, não como uma vitória rápida em pagamentos de varejo. O centro de Xangai sinaliza uma mudança no sentido de reescrever as regras do financiamento do comércio internacional, em vez de insistir que os vendedores ambulantes aceitem o e-CNY.
Pan vinculou o yuan digital a uma visão mais ampla de um sistema monetário multipolar, em que nenhuma moeda única domina o comércio e as finanças globais. "Um sistema monetário internacional mais multipolar ajudará as moedas soberanas a melhorar as restrições de políticas, aumentar a resiliência do sistema e apoiar de forma mais eficaz a estabilidade econômica e financeira global", disse ele em uma declaração traduzida.
O governador Pan enfatizou que isso vai além da política monetária - trata-se do uso de novas tecnologias para permitir pagamentos mais rápidos e eficientes. Ao integrar contratos inteligentes em transações internacionais, a China pretende igualar o apelo de liquidação instantânea das stablecoins e, ao mesmo tempo, preservar a supervisão centralizada.
Essa abordagem híbrida adota as vantagens da velocidade do blockchain e, ao mesmo tempo, rejeita o que Pan chamou de "supervisão regulatória insuficiente" das stablecoins.
Esse movimento marca uma reavaliação da estratégia de moeda digital da China em meio à desaceleração do impulso doméstico e às mudanças na ordem financeira global.
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