Mercados globais e PSI entram numa semana de resultados, juros e risco soberano
A semana económica fica marcada por uma agenda concentrada de resultados empresariais, decisões de política monetária e alertas sobre o impacto da inteligência artificial e das finanças públicas na confiança dos investidores. Entre Seul, Lisboa, Londres e Paris, o foco estende-se da Netflix, Tesla e Meta ao Banco da Coreia, à Navigator e à revisão do rating da dívida francesa.
Destaques
- Netflix divulga resultados do terceiro trimestre na terça-feira, após crescimento de receitas de 13,4% no trimestre anterior.
- Tesla e Meta inauguram época de resultados das sete magníficas na quarta-feira, com foco no impacto e custos de inteligência artificial no crescimento.
- Na sexta-feira, Moody's revê rating da dívida soberana francesa, atualmente em Aa3 com perspetiva negativa, devido a incerteza orçamental e política.
Agenda concentra resultados, bancos centrais e inteligência artificial
Como adianta o Jornal de Negócios, a semana arranca com a Cimeira Global de IA e Digital do Banco Mundial, em Seul, após os encontros anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, onde o impacto da inteligência artificial nas economias esteve entre os temas centrais. A conferência decorre até 22 de outubro e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, intervém na terça-feira.No mesmo dia, a Netflix apresenta os resultados do terceiro trimestre, depois de ter aumentado as receitas em 13,4% no trimestre anterior face ao período homólogo. Os analistas acompanham sobretudo a evolução do crescimento nas quatro regiões geográficas divulgadas pela empresa, num momento em que a expansão de subscritores é esperada sobretudo fora dos mercados mais maduros.
Na quarta-feira, Tesla e Meta inauguram a época de resultados das chamadas sete magníficas, num teste relevante para o mercado. A inteligência artificial continua a sustentar o aumento das receitas, mas mantém-se a pressão dos investidores sobre a dimensão do investimento necessário para suportar esse crescimento.
Também na quarta-feira, o Instituto Nacional de Estatística divulga os dados de setembro sobre o crédito à habitação, depois de a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos ter subido em agosto para 3,162%. O movimento reflete a evolução da Euribor e reforça a atenção do mercado ao custo do financiamento das famílias.
Impacto em Lisboa, Coreia do Sul e França marca o final da semana
Na quinta-feira, espera-se que o Banco da Coreia mantenha a taxa diretora inalterada, após dois aumentos consecutivos, numa altura de pressão sobre as bolsas sul-coreanas. Nesse dia, estão ainda previstas intervenções de Fabio Panetta, membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu, em Turim, e de Katharine Braddick, vice-governadora do Banco de Inglaterra, em Londres.Em Lisboa, a Navigator dá início à época de resultados do terceiro trimestre no PSI. Até junho, a empresa registou lucros de 49,1 milhões de euros, menos 42% do que os 85,2 milhões apurados no mesmo período de 2025, embora o segundo trimestre já tenha mostrado recuperação da atividade e da rentabilidade após o impacto das tempestades nos primeiros três meses do ano.
Na sexta-feira, a atenção desloca-se para França, onde a Moody's revê a classificação da dívida soberana. A agência já alertou que a aprovação do Orçamento do Estado para 2027 enfrenta elevada incerteza, devido à proximidade das eleições presidenciais e à provável fragmentação política, mantendo atualmente a notação em Aa3 com perspetiva negativa.
Na nossa publicação anterior sobre a descida das taxas Euribor, explicámos como a queda nas três principais maturidades pode aliviar as prestações das famílias com crédito à habitação de taxa variável, sobretudo nos contratos indexados a seis meses. Também enquadrámos este movimento na política monetária do BCE e nas regras mais apertadas do Banco de Portugal, fatores que continuam a influenciar o custo e o acesso ao financiamento.
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