Dólar registra forte alta no Brasil após eleição e pode entrar entre maiores saltos do Plano Real

Dólar registra forte alta no Brasil após eleição e pode entrar entre maiores saltos do Plano Real
Dólar dispara após eleição

No primeiro pregão após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial, o dólar sobe com força no mercado brasileiro e chega a avançar mais de 12% durante a sessão desta segunda-feira. Por volta das 13h04, a moeda americana era negociada a R$ 5,451 na venda, com alta de 9,17%, movimento que pode marcar a quinta maior valorização diária desde a criação do Plano Real.

Destaques

  • O dólar apresenta forte alta nesta segunda-feira após eleição, podendo registrar a quinta maior valorização diária desde junho de 1994.
  • A moeda americana já subiu até 11,10% em um único dia, como registrado em 15 de janeiro de 1999, durante a adoção do câmbio flutuante.
  • Crises como as de 1999, 2008 e eventos políticos, como em 18 de maio de 2017, historicamente impulsionam grandes saltos no câmbio brasileiro.

Movimento do câmbio e comparação histórica

Segundo InfoMoney, conforme levantamento da Elos Ayta, se a valorização observada nesta segunda-feira se mantiver até o fechamento, o movimento entra como a quinta maior alta diária do dólar desde junho de 1994. O avanço ocorre no primeiro pregão depois do resultado eleitoral e recoloca o câmbio entre os episódios mais agudos de volatilidade do período pós-Plano Real.

A maior alta da série permanece em 15 de janeiro de 1999, quando a moeda americana subiu 11,10% em um único dia, em meio ao abandono do sistema de bandas cambiais pelo Banco Central e à adoção do câmbio flutuante. A crise cambial daquele mês concentra quatro das dez maiores valorizações do dólar, incluindo altas de 8,91% em 13 de janeiro, 5,51% em 21 de janeiro e 6,61% em 26 de janeiro.

Naquele contexto, o Brasil enfrentava saída de capitais, queda das reservas internacionais e desconfiança crescente sobre a sustentação do regime cambial. A mudança para o câmbio flutuante se torna um dos marcos mais relevantes da política económica brasileira após a implantação do Plano Real.

Crises anteriores moldam referência do mercado

A crise financeira internacional de 2008 também aparece com força no histórico das maiores altas diárias da moeda americana. Naquele ano, o dólar Ptax sobe 9,33% em 8 de outubro, além de avançar 7,79% em 22 de outubro, 5,98% em 6 de outubro e 5,41% em 29 de setembro.

O agravamento da crise após a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, provoca uma corrida global por dólares e retirada de recursos de mercados emergentes, incluindo o Brasil. Esse padrão reforça como momentos de choque político ou financeiro ampliam a procura pela divisa e pressionam o câmbio doméstico.

Fora das crises de 1999 e 2008, apenas duas datas figuram entre as dez maiores altas do levantamento. Em 18 de maio de 2017, o dólar Ptax avança 8,79% em meio à crise política ligada às denúncias envolvendo o então presidente Michel Temer e executivos da JBS; em 16 de agosto de 2007, sobe 5,39% durante as turbulências da crise do crédito imobiliário de alto risco nos U.S., conhecida como subprime.

Na nossa matéria anterior sobre o minidólar WDOX26, analisámos como o contrato iniciou a sessão sob volatilidade, combinando a cautela eleitoral no Brasil com o fortalecimento global do dólar e a influência de indicadores nos EUA. Também destacámos o papel do fluxo cambial e mapeámos os principais suportes e resistências, explicando que a continuação do movimento dependeria de rompimentos com volume ou, no sentido oposto, da perda de níveis-chave.

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