Da negação à integração: por que os bancos estão apostando nas stablecoins
Por que os bancos estão integrando stablecoins: A experiência e a nova estratégia financeira da Revolut
Há apenas alguns anos, os bancos viam as criptomoedas como uma ameaça em potencial. Hoje, no entanto, a situação mudou radicalmente: os bancos e as principais empresas de fintech não estão apenas tolerando as criptomoedas, mas estão cada vez mais integrando-as à sua infraestrutura de pagamento. O que mudou no mundo das finanças tradicionais e como isso afetou os usuários?
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Revolut como um centro crescente para pagamentos com stablecoin
Um dos exemplos mais proeminentes de integração institucional de criptomoedas é a Revolut - uma plataforma de fintech que está se posicionando cada vez mais como um centro de liquidações de stablecoin. No ano passado, o volume de transações realizadas por meio de stablecoins na plataforma atingiu um pico de US$ 1,2 bilhão, enquanto o número de usuários que utilizam esses instrumentos cresceu mais de 40%. A Revolut está expandindo ativamente o suporte para operações com stablecoins, incluindo USDC, USDT e outros ativos atrelados ao dólar americano, tornando-os um meio acessível de pagamento e transferência para clientes de varejo na Europa e em outras regiões.
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Mas guardámos tudo 🙂.
O sucesso da Revolut nessa área reflete uma tendência mais ampla: os usuários de serviços de fintech estão escolhendo formas rápidas e baratas de transferir valores, ignorando os trilhos bancários tradicionais. Essa demanda se tornou um incentivo fundamental para que os bancos repensem sua estratégia em relação às moedas digitais e criem sua própria infraestrutura para trabalhar com stablecoins.
Por que os bancos inicialmente eram contra as criptomoedas?
A posição inicial dos bancos em relação às criptomoedas era inequívoca. A alta volatilidade do Bitcoin e das altcoins os tornava inadequados para pagamentos, enquanto a falta de regulamentação clara os tornava tóxicos do ponto de vista da conformidade. Um fator adicional foi a ameaça ao modelo tradicional de depósito: os ativos digitais permitiam que os usuários armazenassem e transferissem fundos fora do sistema bancário.
Os riscos de AML e KYC também desempenharam um papel distinto. Para os bancos que operam sob rigorosa supervisão regulatória, quaisquer instrumentos com origens de fundos opacos significavam possíveis multas e danos à reputação. Como resultado, as criptomoedas permaneceram fora do ecossistema bancário por um longo tempo.
Por que os bancos mudaram de ideia
O ponto de virada nessa mudança de paradigma foi o surgimento das stablecoins. Diferentemente dos ativos criptográficos clássicos, elas são atreladas a moedas fiduciárias e não apresentam extrema volatilidade de preços. Isso permitiu que os bancos as vissem não como ativos especulativos, mas como instrumentos de pagamento.
Ao mesmo tempo, o cenário regulatório começou a mudar. As principais jurisdições começaram a estabelecer estruturas para trabalhar com stablecoins, reduzindo a incerteza jurídica. As principais redes de pagamento, incluindo a Visa, começaram a permitir o uso de moedas digitais em liquidações por meio de bancos, fintechs e plataformas de comerciantes.
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Nesse contexto, a Revolut não é uma exceção, mas sim um sintoma de um processo mais amplo: os clientes esperam pagamentos rápidos, baratos e globais, e os bancos não podem mais ignorar essa demanda.
O que os bancos ganham com a integração da stablecoin
Para os bancos, a integração de criptomoedas não se trata de ideologia, mas de pragmatismo. Primeiro, ela abre novos fluxos de receita: taxas de transferência, manutenção de contas digitais e serviços de custódia. Em segundo lugar, ela ajuda a reter a base de clientes. Os usuários, especialmente o público mais jovem, escolhem cada vez mais serviços financeiros com recursos digitais, e a ausência de tais opções leva à saída de clientes para concorrentes de fintech.
Há também uma dimensão operacional. O uso da infraestrutura de blockchain e de stablecoins permite liquidações mais rápidas e custos mais baixos, principalmente em pagamentos internacionais. Para os bancos, essa é uma maneira de otimizar processos que permanecem lentos e caros no sistema tradicional.
O que os clientes ganham
Para os usuários, os benefícios são ainda mais evidentes. As stablecoins possibilitam o envio de transferências de forma mais rápida e econômica do que por meio dos canais bancários tradicionais. Isso é especialmente perceptível nos pagamentos internacionais, em que as taxas e os tempos de liquidação são tradicionalmente altos.
Além disso, os bancos que integram funcionalidades de criptografia começam a oferecer uma gama ampliada de serviços: custódia de ativos digitais, câmbio e, no futuro, acesso a instrumentos tokenizados e novas formas de produtos financeiros. Para alguns clientes, isso também significa maior inclusão financeira, especialmente em regiões com acesso limitado aos serviços bancários tradicionais.
Bancos e criptomoedas: Aliança forçada
A mudança dos bancos da negação para a integração de criptomoedas não é uma mudança de crenças, mas uma adaptação à realidade. As stablecoins se tornaram um elo de compromisso entre as finanças tradicionais e a economia digital, permitindo que os bancos mantenham o controle e, ao mesmo tempo, ofereçam novas oportunidades aos clientes.
A questão agora não é se os bancos usarão a infraestrutura de criptografia, mas quem será capaz de fazer isso de forma mais rápida e eficiente. Aqueles que ficarem à margem correm o risco de repetir o destino das instituições financeiras que perderam durante as mudanças tecnológicas anteriores.
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