CGD antecipa perda de liderança face à Revolut em lucros
A Caixa Geral de Depósitos prevê manter resultados elevados nos próximos anos, mas admite que a diferença face aos bancos digitais tende a diminuir. Paulo Macedo diz que 2025 poderá ter sido o último ano em que o banco público lucrou mais do que a Revolut, num sinal da pressão competitiva no setor financeiro.
Destaques
- Paulo Macedo afirmou que 2025 poderá ser o último ano em que a CGD apresenta lucros superiores aos da Revolut, antecipando ultrapassagem do concorrente digital.
- A CGD deverá conceder cerca de 700 milhões de euros em crédito à habitação este mês, destacando o desempenho robusto do banco.
- Macedo reafirmou que lucros inferiores a 200 milhões de euros implicariam rentabilidade inferior a 2% sobre os 11 mil milhões de euros de capital investido, consideravelmente abaixo de alternativas como certificados de aforro.
Declarações de Paulo Macedo sobre resultados e concorrência
Como noticiou o Jornal de Negócios, o presidente executivo da CGD afirmou esta quinta-feira, num almoço-debate da ACEGE em Lisboa, que 2025 poderá ter sido o último ano em que o banco público apresentou lucros superiores aos da Revolut. Paulo Macedo disse que a instituição digital, com operação global, dificilmente voltará a ficar atrás da CGD neste indicador.O gestor enquadrou esta perspetiva numa mensagem de exigência interna, defendendo que é precisamente quando uma empresa está a atravessar um período favorável que deve promover mudanças. Na sua visão, a liderança só se preserva com inquietação e adaptação contínua, para evitar ser ultrapassada pela concorrência.
Macedo destacou também o desempenho recente da CGD e adiantou que o banco deverá conceder este mês cerca de 700 milhões de euros em crédito à habitação, valor que classificou como muito significativo. Recordou ainda que, em 2025, a CGD registou lucros históricos de 1.900 milhões de euros.
Rentabilidade, missão pública e impacto no setor bancário
Paulo Macedo sublinhou que a função da CGD passa por remunerar o capital colocado pelo Estado, financiado pelos contribuintes, ao mesmo tempo que cumpre obrigações sociais, como a cobertura da rede no país. Contudo, frisou que essa missão não significa conceder crédito recusado por outros bancos nem aceitar níveis reduzidos de rentabilidade.Ao ilustrar essa posição, o presidente executivo afirmou que um lucro de 200 milhões de euros representaria uma rentabilidade inferior a 2% sobre os 11 mil milhões de euros de capital investido no banco público, o que, disse, seria menos atrativo do que aplicar esse montante em certificados de aforro. Em fevereiro, na apresentação de resultados, já tinha avisado que os ganhos elevados de 2025 seriam difíceis de repetir, embora mantenha a expectativa de lucros acima de 1.000 milhões de euros e de resultados substanciais nos próximos anos.
A nossa publicação acompanhou os dividendos e resultados da Oitante ligados à resolução do Banif e ao reembolso ao Fundo de Resolução. Nas contas de 2025, a gestora registou um lucro líquido de 20,3 milhões de euros e aprovou a distribuição de 10,1 milhões em dividendos, elevando o total pago para 186,3 milhões, com a possibilidade de novo pagamento até ao final do ano.
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