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Mas guardámos tudo 🙂.
O aumento acentuado dos preços do ouro, seguido de uma forte queda, levou Cathie Wood a fazer uma declaração de alto nível. A CEO da Ark Invest e conhecida investidora argumenta que os sinais de uma bolha no mercado atual não devem ser procurados na inteligência artificial ou nos ativos digitais, mas nos metais preciosos.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Em suas declarações, Cathie Wood se baseia em indicadores macro, particularmente na relação entre a capitalização de mercado do ouro e a oferta monetária dos EUA. Durante o mais recente aumento de preços, essa métrica atingiu o maior nível de todos os tempos, superando os níveis observados no início da década de 1980. Em seu comentário, Wood enfatiza que esses movimentos parabólicos são tipicamente característicos do estágio final de um ciclo, quando os preços se tornam cada vez mais orientados pelas expectativas em vez de pelas condições fundamentais.
Ao mesmo tempo, ela destaca as diferenças entre o ambiente macroeconômico atual e os períodos históricos frequentemente usados para comparação. Em sua opinião, a economia dos EUA hoje não está experimentando a inflação de dois dígitos típica da década de 1970 nem operando em condições de crise deflacionária. Na ausência de taxas de juros extremas e em meio ao possível fortalecimento do dólar, ela argumenta que o ouro continua vulnerável a uma correção mais profunda, semelhante à que se seguiu ao pico de 1980.
Ao mesmo tempo, a dinâmica atual do ouro é complicada pela demanda estrutural dos bancos centrais. Os órgãos reguladores continuam a aumentar suas reservas de ouro, vendo o metal como uma ferramenta para diversificação e redução do risco cambial. Essa demanda não é impulsionada por flutuações de preço de curto prazo e oferece suporte adicional ao mercado. A combinação de sinais de superaquecimento dos preços com a demanda institucional de longo prazo torna a discussão sobre uma "bolha de ouro" muito menos clara.
Na opinião de Wood, o Bitcoin é um ativo de escassez muito mais atraente do que o ouro. Seu fornecimento é estritamente limitado e o cronograma de emissão é matematicamente predefinido. Isso, segundo ela, torna o Bitcoin menos vulnerável à expansão da oferta, ao contrário do ouro, cuja produção depende dos preços, da tecnologia e do investimento em mineração.
Entretanto, uma oferta fixa por si só não responde à questão fundamental da estabilidade de preços. O Bitcoin não gera fluxos de caixa, não funciona como um meio de troca na escala da economia mais ampla e não tem um longo histórico de comportamento em ciclos de crise prolongados. Seu valor é impulsionado pelas expectativas de demanda futura e não pelo uso atual. Como resultado, durante os períodos de crescimento, ele se comporta mais como um ativo de crença do que como um instrumento defensivo.
Essa contradição torna-se especialmente visível durante os períodos de estresse do mercado. Quando a liquidez se torna mais restrita e a demanda por segurança aumenta, o Bitcoin normalmente cai junto com os ativos de risco, em vez de servir como um refúgio. Nessas condições, seu preço depende não da escassez, mas da disposição dos investidores em manter um ativo volátil sem uma âncora interna.
Nesse sentido, a possível "bolha" do Bitcoin não está nos níveis de preço, mas na narrativa que equipara oferta limitada com valor garantido. A escassez pode ampliar a demanda, mas não pode substituir os fundamentos. É exatamente nesse ponto que o Bitcoin se mostra muito mais vulnerável a mudanças de sentimento do que o ouro, que normalmente é comprado para preservação e não para crescimento.
Ao mesmo tempo em que chama o ouro de superaquecido, Cathie Wood rejeita outra narrativa popular - a de que uma nova bolha está se formando na inteligência artificial. As comparações entre o boom da IA e a bolha das empresas pontocom estão se tornando cada vez mais comuns, mas, diferentemente das empresas de internet do final da década de 1990, a IA já está incorporada aos processos de negócios e oferece um valor econômico mensurável. Os serviços em nuvem, as soluções empresariais, a automação e a análise estão gerando uma demanda real que vai além das promessas do futuro.
O risco nessa história surge em um nível diferente. As empresas estão gastando bilhões em infraestrutura, construindo previsões em torno de um retorno rápido e margens altas. Se a monetização real progredir mais lentamente do que o esperado, uma correção será inevitável.
É nesse ponto que se traça a linha entre uma bolha e o otimismo excessivo. A inteligência artificial não vende escassez nem apela para o medo. Ela vende produtividade, e a questão é quem - e como - será capaz de converter essa produtividade em lucro. Para os investidores, isso se torna uma escolha entre modelos de negócios e horizontes de tempo para retornos.
Como resultado, mesmo que algumas empresas estejam supervalorizadas, isso não torna o setor inteiro uma bolha.
Em última análise, as discussões sobre bolhas de mercado têm menos a ver com preços e mais com a relação entre o sentimento e os fundamentos. A previsão de Cathie Wood sobre o ouro mostrou-se oportuna. Depois de atingir um recorde intradiário de US$ 5.600 por onça, os preços do ouro caíram 21% em três dias, caindo para US$ 4.400. Desde então, o ouro se recuperou parcialmente e está sendo negociado em torno de US$ 4.800 por onça, ressaltando o aumento acentuado da volatilidade do mercado.
Atualmente, o ouro se encontra entre a volatilidade elevada e o interesse sustentado dos bancos centrais, o que complica sua classificação como uma bolha clássica. O Bitcoin, por outro lado, continua muito dependente da crença na escassez e na adoção futura, o que o torna particularmente sensível a mudanças no sentimento. A inteligência artificial ocupa uma posição distinta: ela já está gerando valor econômico, mas continua vulnerável a revisões de expectativas infladas.
A principal questão hoje não é qual ativo irá "estourar", mas quais expectativas são capazes de resistir a uma colisão com a realidade.