Banco de Portugal força governador a vender ações compradas após tomada de posse
A carteira pessoal de Álvaro Santos Pereira volta ao centro da atenção regulatória depois de aquisições feitas já no exercício das funções de governador do Banco de Portugal. As compras incluíram títulos da Galp e da Jerónimo Martins e acabaram por motivar uma exigência de alienação por parte do Banco Central Europeu.
Destaques
- Álvaro Santos Pereira comprou ações da Galp e Jerónimo Martins em dezembro, dois meses após assumir o cargo de governador do Banco de Portugal.
- O Banco Central Europeu obrigou Santos Pereira a vender as ações adquiridas, após comunicação destes movimentos em declaração de interesses no início do ano.
- O caso aumenta a pressão sobre o Banco de Portugal para reforçar transparência e separação entre decisões institucionais e investimentos pessoais dos seus dirigentes.
Compras de ações e intervenção do BCE
Como noticiou o Público, Álvaro Santos Pereira reforçou o seu portefólio de ações depois de assumir a liderança do Banco de Portugal, tendo realizado compras perto do Natal, cerca de dois meses após suceder a Mário Centeno à frente do supervisor.As operações foram comunicadas no início deste ano na declaração de interesses enviada ao Banco Central Europeu. Na sequência dessa informação, o BCE forçou o governador a alienar as ações adquiridas.
Santos Pereira gere diretamente a sua carteira pessoal. No caso da Galp, as aquisições ocorreram a 17 e 29 de dezembro, sendo que nesta última data comprou também ações da Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce.
Implicações para a governação do supervisor
O caso realça a sensibilidade das regras de conflitos de interesses aplicáveis a cargos de topo na supervisão financeira, em especial quando envolvem investimentos diretos em empresas cotadas acompanhadas pelo mercado.A exigência do BCE sublinha o escrutínio sobre a conduta patrimonial dos responsáveis dos bancos centrais do Eurosistema. Para o Banco de Portugal, o episódio reforça a pressão sobre padrões de transparência e de separação entre decisões institucionais e investimentos pessoais.
Na nossa publicação anterior, analisámos a melhoria das contas do Banco de Portugal em 2025, com o prejuízo líquido a recuar quase até ao equilíbrio e a perspetiva de estabilização a partir de 2026. Destacámos também o papel da forte valorização das reservas de ouro no reforço do balanço e na perceção de solidez institucional, num contexto ainda marcado pelos efeitos do ciclo de juros do BCE.
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