Portugal quer aplicar IA a licenciamento e compras públicas
Portugal quer reorganizar serviços do Estado com sistemas de inteligência artificial para acelerar decisões administrativas e automatizar processos públicos. A proposta, apresentada no congresso da APDC em Lisboa, abrange áreas como o licenciamento da construção e a contratação pública.
Destaques
- O Governo de Portugal planeja adotar sistemas de inteligência artificial para automatizar licenciamento urbano e processos administrativos públicos, reduzindo prazos de meses para dias.
- Nas compras públicas, agentes inteligentes irão monitorizar mercados em tempo real, detetar sobrepreços e concentração de fornecedores, e analisar propostas e indicadores financeiros automaticamente.
- A digitalização com IA irá reforçar transparência e auditabilidade dos contratos do Estado, emitindo alertas automáticos sobre prazos, pagamentos e desvios orçamentais durante a execução contratual.
Plano para um Estado em ação
Como afirmou o ministro-Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, no congresso da APDC, o Governo quer transformar Portugal num "Estado em ação", conceito associado à adoção de sistemas inteligentes capazes de agir autonomamente, tomar decisões e controlar processos públicos.Segundo o governante, a aplicação prática desta visão passa por permitir que um cidadão apresente, por exemplo, um projeto de habitação e que o Estado trate do restante processo em segundo plano. Esses sistemas cruzam automaticamente os projetos com planos de ordenamento, restrições ambientais e patrimoniais e normas de segurança, identificando desconformidades e sugerindo alternativas.
Gonçalo Matias defende que este modelo reduz para dias procedimentos que atualmente demoram meses, com impacto direto na confiança dos cidadãos na administração pública. No encontro, o ministro refere ainda exemplos internacionais como Estónia, Ucrânia e Emirados Árabes Unidos para ilustrar a ambição de serviços públicos mais rápidos e integrados.
Impacto esperado na gestão pública
Na contratação pública, o modelo descrito pelo ministro inclui agentes inteligentes que monitorizam continuamente os mercados e emitem alertas quando detetam sobrepreços ou concentração de fornecedores. Esses sistemas também podem analisar propostas técnicas, cruzar indicadores financeiros e verificar conformidade em tempo real.Na fase de execução dos contratos, os mesmos mecanismos acompanham prazos, pagamentos e desvios orçamentais, gerando alertas automáticos sempre que há risco de derrapagem. O registo contínuo dessas ações, segundo o governante, reforça a auditabilidade e a transparência dos processos, num momento em que a digitalização do Estado ganha peso na agenda de modernização administrativa em Portugal.
Na nossa publicação anterior sobre a expansão do centro de dados de Sines, explicámos como a Nscale e a Start Campus planeiam aumentar significativamente a capacidade de computação para IA até 2027, com milhares de chips da Nvidia destinados a suportar operações ligadas à Microsoft. O texto destacou o investimento em nova infraestrutura e o objetivo de consolidar Portugal como um dos polos europeus de IA de alta densidade, reforçando escala, resiliência e planeamento de longo prazo.
Últimas notícias Digital Government
- Forex
- Crypto