Operadores portugueses contestam preços da FIFA para o Mundial 2026
A menos de cinco semanas do arranque do Mundial 2026, as negociações dos direitos de transmissão continuam bloqueadas em mercados centrais e aumentam a pressão sobre os operadores de televisão em Portugal. O impasse surge num momento em que a FIFA tenta elevar receitas com uma estratégia mais fragmentada de distribuição, colocando em risco a cobertura em sinal aberto de jogos sujeitos a acesso universal.
Destaques
- A FIFA exige cerca de 40% mais pelos direitos do Mundial 2026 do que foi pago pelo Mundial 2022, levando operadores portugueses a recusarem o valor.
- A FIFA fraciona os direitos por múltiplas plataformas para aumentar receitas, agravando tensões com televisões que reivindicam exclusividade e desconto devido à oferta dos primeiros dez minutos no YouTube.
- Se não houver acordo até 11 de junho, data do torneio, o acesso gratuito em Portugal ao Mundial pode depender de intervenção regulatória sem precedentes devido à obrigação legal de sinal aberto.
Impasse nos direitos e pressão sobre as televisões
A ThePortugalPost refere que a FIFA ainda tenta fechar acordos de transmissão na China e na Índia, enquanto em Portugal os operadores tradicionais resistem ao que classificam como uma subida excessiva dos preços dos direitos do Mundial 2026.Em Lisboa, no Digital Business Congress da APDC, o presidente executivo da Media Capital, Pedro Morais Leitão, diz que a FIFA pede cerca de 40% mais do que foi pago pelo Mundial de 2022 no Qatar. Segundo o gestor, a recusa das televisões em aceitar esse valor cria um bloqueio com potencial impacto na emissão em sinal aberto, tendo em conta a obrigação legal de transmitir determinados jogos.
Francisco Pedro Balsemão, presidente da Impresa, afirma no mesmo painel que os operadores pedem um desconto, argumentando que a disponibilização gratuita dos primeiros dez minutos de cada jogo no YouTube reduz o valor da exclusividade. Nicolau Santos, presidente da RTP, diz que a entrada de grandes plataformas globais no mercado do desporto está a criar um ambiente regulatório desequilibrado, em que os operadores tradicionais enfrentam concorrência direta de grupos com maior escala financeira.
Risco para o acesso gratuito e mudança no mercado
A estratégia da FIFA passa por fracionar os direitos de transmissão por várias plataformas, em vez de atribuir pacotes exclusivos a um único operador. Essa abordagem procura ampliar o alcance digital e as receitas, apoiada também na plataforma FIFA+, mas agrava a tensão com grupos televisivos habituados a modelos de exclusividade.Para os residentes em Portugal, o efeito imediato depende de um acordo antes do início do torneio, marcado para 11 de junho. Como a legislação portuguesa impõe que eventos desportivos de grande relevância, incluindo jogos do Mundial, estejam disponíveis em sinal aberto, um falhanço total nas negociações pode forçar intervenção regulatória, embora esse mecanismo ainda não tenha sido testado neste contexto.
O conflito também reflete uma transformação mais ampla no mercado audiovisual. Com plataformas como Amazon Prime Video e Apple TV+ a investirem mais em desporto em direto, os preços sobem e a audiência fragmenta-se por vários serviços pagos, cenário que pode reduzir no futuro o papel de canais como TVI, SIC e RTP no acesso generalizado a grandes competições.
Na nossa publicação, acompanhámos a crise da Trust in News e o risco de colapso da revista Visão após o Supremo Tribunal de Justiça ter validado o plano de insolvência, mas anulado uma cláusula central, deixando a empresa num limbo jurídico e financeiro. O texto destacou a pressão de jornalistas e credores para reabrir negociações e evitar a liquidação, num contexto de dívidas elevadas e queda das receitas da imprensa. Esse caso ilustra como o setor dos media enfrenta fragilidade financeira e necessidade de adaptação, pano de fundo para a atual disputa pelos direitos do Mundial 2026 e a pressão sobre as televisões.
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