Navigator vê lucro cair para 17,2 milhões no primeiro trimestre com tempestades e guerra no Médio Oriente a pressionarem operações
A Navigator arranca 2026 com uma forte quebra dos resultados, num trimestre marcado por danos climáticos na floresta e por maior pressão geopolítica sobre os mercados. Até março, o grupo reduziu também vendas e EBITDA, apesar de indicar recuperação operacional no fim do período e menor endividamento líquido face a dezembro.
Destaques
- Navigator reporta lucro de 17,2 milhões de euros no 1º trimestre de 2026, queda de 64,4% devido a tempestades e guerra no Médio Oriente.
- O EBITDA diminui 44% para 65 milhões de euros, volume de negócios recua 19,3% para 427 milhões, com danos severos nas operações e custos energéticos elevados.
- Empresa investe 42 milhões de euros em modernização e descarbonização, reduz dívida líquida para 675,4 milhões e implementa aumentos de preços entre 5% e 10% no packaging e 5% a 7% no tissue.
Resultados trimestrais e fatores de pressão
Segundo comunicado da Navigator à CMVM, a produtora de pasta e papel regista lucros de 17,2 milhões de euros nos primeiros três meses de 2026, uma descida de 64,4% face aos 48,3 milhões apurados no mesmo período do ano passado. O volume de negócios soma 427 milhões de euros, menos 19,3% em termos homólogos, enquanto o EBITDA recua 44%, para 65 milhões de euros, com uma margem de 15,2%.A empresa refere que o trimestre é condicionado pela depressão Kristin, pelo conjunto de tempestades seguintes e pelo agravamento do contexto internacional associado à guerra no Médio Oriente. A Navigator destaca danos severos sobretudo na região Centro, com perturbações nas operações das unidades da Figueira da Foz e de Vila Velha de Ródão.
As interrupções externas de energia e água, bem como as dificuldades no abastecimento de madeira devido à destruição de áreas florestais e à forte precipitação, limitam as operações florestais e agravam os constrangimentos logísticos. A empresa acrescenta que estes fatores, a par de níveis iniciais de stock mais baixos no arranque do ano, pesam no desempenho trimestral e elevam também o consumo de energia fóssil, em particular gás natural, com impacto nos custos e na compra adicional de licenças de CO2.
A Navigator sustenta, ainda assim, que recupera no final do trimestre, apoiada na estratégia de diversificação, com tissue e packaging a representarem mais de 30% do volume de negócios e cerca de 40% do EBITDA. O grupo indica também melhorias nos cash costs unitários nos segmentos de papel, packaging e tissue, tanto na operação ibérica como no UK, além de um efeito mitigador da política de cobertura de energia e cambial.
Investimento, dívida e perspetivas para 2026
Nos primeiros três meses do ano, a empresa mantém o ciclo de investimento orientado para modernização industrial, eficiência e descarbonização, com um total de 42 milhões de euros. Apesar da pressão do atual ciclo de investimento sobre os resultados e do ambiente externo volátil, a Navigator reduz o endividamento líquido em 28 milhões de euros face a dezembro, para 675,4 milhões, mantendo um rácio dívida líquida/EBITDA de 2,08 vezes e 414 milhões de euros em linhas de financiamento disponíveis.Para o resto de 2026, o grupo aponta para recuperação gradual, disciplina operacional e foco estratégico, embora admita a continuação de volatilidade nos mercados internacionais, influenciada pelo contexto geopolítico e por possíveis constrangimentos na cadeia logística global. Ainda assim, a empresa afirma que os indicadores mais recentes mostram melhoria gradual das condições de mercado, sobretudo na pasta, com recuperação progressiva dos preços e sinais de maior equilíbrio entre oferta e procura.
A Navigator tem também anunciado aumentos de preços em todas as áreas de negócio. No papel de impressão e escrita, a normalização operacional das unidades industriais deverá permitir captar de forma mais plena os aumentos definidos no início do ano; no packaging, a empresa avança com subidas entre 5% e 10% com efeitos a partir de abril e com novo aumento anunciado em abril, válido desde junho, de pelo menos 30 euros por tonelada; no tissue, anuncia um agravamento de preços entre 5% e 7% para expedições a partir de maio em todos os mercados onde opera.
Na nossa publicação anterior sobre o Plano Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), explicámos como a resposta do Estado às tempestades de janeiro e fevereiro, incluindo a Kristin, tem sido marcada por atrasos na execução e no pagamento dos apoios à habitação. O texto destacou as críticas à falta de metas e calendário detalhado, bem como o objetivo de criar mecanismos mais estruturais — como um fundo nacional para catástrofes e a hipótese de seguro obrigatório — para reduzir a vulnerabilidade do país a futuros eventos extremos.
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