CTT fecham parceria com a DHL e asseguram encaixe líquido de 64 milhões de euros
Mais de um ano após o anúncio da parceria estratégica, os CTT e a DHL concluem a operação depois de a joint venture receber aprovação incondicional de Bruxelas. O acordo reorganiza os ativos de encomendas em Portugal e Espanha e abre caminho a futuras opções de reforço de participações até 49%.
Destaques
- CTT fecham parceria com a DHL com encaixe líquido de 64 milhões de euros, abaixo dos 69 milhões de euros anunciados em dezembro de 2024.
- Os CTT Expresso adquirem 25% da DHL eCommerce Espanha e a DHL eCommerce passa a deter 25% dos CTT Expresso, além da compra da DHL eCommerce Portugal pelos CTT.
- Parceria visa receitas combinadas de mil milhões de euros e sinergias operacionais superiores a 35 milhões de euros de EBIT por ano em dois a três anos.
Estrutura da operação e metas financeiras
Em comunicado enviado à CMVM, os CTT indicam que terão um encaixe líquido de 64 milhões de euros com o fecho da parceria, abaixo dos 69 milhões de euros anunciados em dezembro de 2024.Nos termos do acordo, os CTT Expresso adquirem 25% da DHL eCommerce Espanha, enquanto a DHL eCommerce passa a deter 25% dos CTT Expresso, que por sua vez compram a DHL eCommerce Portugal. A empresa refere que o valor dos ativos da transação à data da assinatura se mantém inalterado e explica que a diferença no encaixe líquido resulta de ajustamentos habituais ligados à dívida líquida e ao fundo de maneio líquido.
A nova fase da parceria mantém também a possibilidade de reforço das participações minoritárias. Aos CTT é atribuída uma opção de compra de 10% da Danzas e à DHL uma opção de compra de 10% da CTT Expresso, com base nas contas de 2027.
Além disso, sujeito ao cumprimento de condições de desempenho operacional, em particular um EBIT consolidado da joint venture acima de 96 milhões de euros em 2028, e assumindo o exercício da opção anterior, os CTT poderão elevar a sua posição na Danzas até 49%, enquanto a DHL poderá aumentar a participação na CTT Expresso até ao mesmo nível.
Impacto ibérico e sinergias operacionais
A operação passa a assentar em duas redes abrangentes de recolha e entrega de encomendas em Portugal e Espanha, com uma capacidade diária superior a um milhão de envios nos dois mercados. A expectativa dos CTT é que a parceria contribua para receitas combinadas de mil milhões de euros.A empresa salienta que a transação deverá gerar sinergias operacionais e comerciais significativas nos dois países, bem como ganhos ao nível da estrutura empresarial. Entre as áreas identificadas estão instalações e tratamento, rede de transporte e última milha.
Num ritmo considerado normalizado, que os CTT estimam poder ser alcançado ao longo dos próximos dois a três anos, o impacto das sinergias no EBIT deverá superar 35 milhões de euros por ano para as operações combinadas das duas empresas que integram a joint venture.
Na nossa publicação anterior sobre o Grupo Barraqueiro e a sua expansão no setor dos transportes em Portugal, analisámos como o grupo passou do transporte rodoviário para concessões ferroviárias e metropolitanas, como a Fertagus, o Metro do Porto e o Metro Sul do Tejo. O texto também relembrou a participação de Humberto Pedrosa na privatização da TAP em 2015, mais tarde revertida pelo Estado em 2020, ilustrando o peso estratégico do grupo na mobilidade nacional.
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