Portugal rejeita criação de exército europeu e defende reforço da NATO
Num debate europeu sobre segurança e capacidade militar, Portugal mantém oposição à criação de um exército europeu. A posição foi reiterada em Bruxelas por Nuno Melo, que defende antes mais investimento nas Forças Armadas nacionais e no pilar europeu de Defesa da NATO.
Destaques
- Portugal, representado por Nuno Melo, rejeitou na reunião de Bruxelas a criação de um exército europeu, defendendo reforço da NATO.
- O ministro da Defesa Nacional reafirmou prioridade em modernização, melhores condições para militares e cumprimento das missões da NATO.
- Proposta espanhola de exército europeu enfrenta resistência, com a alta representante Kaja Kallas considerando-a ilusória e priorizando forças armadas nacionais.
Posição portuguesa na reunião de Bruxelas
À margem da reunião dos ministros da Defesa da União Europeia, o Jornal de Negócios noticiou que Nuno Melo se manifestou contra a criação de um exército europeu, argumentando que a prioridade deve passar pela articulação de aspetos fundamentais de uma defesa comum no espaço da UE.O ministro da Defesa Nacional afirmou que essa é uma posição antiga, já assumida há vários anos no Parlamento Europeu, e indicou que não se altera no atual contexto governativo. Segundo Nuno Melo, o reforço do pilar europeu de Defesa da NATO exige melhores condições para os militares, modernização de infraestruturas e equipamentos e capacidade para responder às missões pedidas dentro e fora do país.
Pressão europeia por maior coordenação militar
O tema ganha relevância num momento em que alguns governos europeus defendem maior integração militar. O Governo espanhol tem apoiado a criação imediata de um exército europeu, apresentando essa via como forma de preservar a liberdade de ação num contexto de tensões crescentes com os U.S..Essa proposta, no entanto, já enfrenta resistência dentro das instituições europeias. A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, afastou essa hipótese por a considerar ilusória, defendendo em alternativa o reforço das Forças Armadas dos próprios países europeus.
Na nossa publicação anterior sobre o debate em torno do fim da regra da unanimidade na União Europeia em áreas estratégicas, destacámos a posição de António José Seguro a favor de decisões mais rápidas via maiorias qualificadas. O tema foi enquadrado na discussão sobre autonomia estratégica europeia em matéria de defesa — sem romper com a NATO nem defender um exército europeu separado — e no esforço de investimento em capacidades militares, incluindo a meta dos 2% do PIB e planos de modernização de equipamento.
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