Portugal relança mecanismo para integrar terras sem dono conhecido na gestão do Estado

Portugal relança mecanismo para integrar terras sem dono conhecido na gestão do Estado
Terras sem dono sob gestão

O Governo português avança com a aplicação do mecanismo para prédios rústicos ou mistos sem dono conhecido, numa tentativa de identificar e gerir terrenos que permanecem sem registo completo ou sem donos atuais identificados. A medida pretende reforçar a prevenção de incêndios e permitir uma utilização mais sustentável de áreas com aptidão agrícola, florestal ou silvo pastoril.

Destaques

  • Portugal relança mecanismo criado em 2019 para registar terrenos sem dono conhecido a favor do Estado, tornando registo definitivo após 15 anos.
  • O novo diploma de abril de 2024 altera o sistema cadastral e o Balcão Único do Prédio (BUPi), reativando o processo para identificar titulares e regularizar terrenos.
  • A medida visa melhorar a gestão florestal, prevenir incêndios e promover manutenção regular e gestão profissional de áreas rurais abandonadas.

Regras do registo e prazo de 15 anos

Como explicou o Jornal de Negócios, o regime abrange prédios inscritos na matriz predial da Autoridade Tributária e Aduaneira, mas que não estão devidamente registados e cadastrados com identificação dos proprietários atuais. O procedimento prevê um primeiro registo provisório a favor do Estado, que se torna definitivo se, ao fim de 15 anos, nenhum titular reclamar a propriedade.

O modelo foi criado em 2019, na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande de 2017, mas não chegou a avançar na prática. Em abril deste ano, um novo diploma que altera o sistema de informação cadastral simplificado e o Balcão Único do Prédio, BUPi, voltou a colocar o processo em marcha.

Para salvaguardar os direitos de propriedade, a Autoridade Tributária deve comunicar ao Instituto dos Registos e Notariado, através do BUPi, a identificação dos terrenos e dos respetivos titulares com base na informação constante da matriz predial. Se o prédio não estiver descrito na conservatória do Registo Predial, o titular indicado será contactado na morada fiscal para promover o registo, depois de obter o desenho técnico dos limites do terreno.

Impacto na gestão florestal e prevenção de incêndios

Quando esse contacto não é possível e for determinado que o terreno não tem dono conhecido, o registo predial valida essa condição e torna-a pública por meio de anúncios durante seis meses. Se não surgir qualquer interessado nesse período, é realizado o registo provisório a favor do Estado, com a correspondente inscrição na matriz, mantendo-se essa situação durante 15 anos.

No fim desse prazo, a gestão passa de forma definitiva para o Estado. O objetivo é assegurar a georreferenciação e a identificação dos proprietários, mas também garantir manutenção adequada dos terrenos, incluindo limpeza para prevenção de incêndios e uma gestão profissional de áreas abandonadas há décadas.

Na nossa publicação, notámos a nova linha de financiamento do Governo para acelerar a remoção de madeira caída e a limpeza de terrenos florestais antes do verão, na sequência dos estragos provocados pela tempestade Kristin. A medida, operacionalizada pelo Banco Português de Fomento, prevê apoio até 2,5 milhões de euros por empresa e complementa incentivos do PRR destinados a reduzir o risco de incêndios nas zonas afetadas.

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