Lisboa acolhe debate sobre sustentabilidade e competitividade empresarial

Lisboa acolhe debate sobre sustentabilidade e competitividade empresarial
Negócios e sustentabilidade em foco

Num contexto de maior pressão regulatória e de curto prazo sobre as empresas europeias, a sustentabilidade está a tornar-se cada vez mais integrada nas áreas centrais da gestão e menos visível como tema isolado. A Lisbon Sustainability Week, marcada para 29 de junho a 2 de julho em Lisboa, pretende responder a esse desafio com debates sobre investimento, risco, modelos de negócio e execução da transição sustentável.

Destaques

  • A conferência em Lisboa, organizada pela Católica-Lisbon, reúne nomes internacionais como John Elkington e Robert F. Engle para debater sustentabilidade, risco e investimento a 30 de junho.
  • As sessões abordam como a sustentabilidade está a migrar da sensibilização para a execução, afetando diretamente a competitividade, a inovação e a resiliência económica das empresas.
  • O texto destaca que, apesar do ruído e da polarização, investidores, mercados financeiros e regulações mantêm a sustentabilidade no núcleo das decisões empresariais e de alocação de capital.

Programa liga estratégia, risco e investimento

Como escreve o Jornal de Negócios, a iniciativa é organizada pela Católica-Lisbon e propõe uma plataforma de debate, colaboração e ação prática entre empresas, setor financeiro, academia e decisores políticos. O encontro reúne nomes internacionais como John Elkington e Robert F. Engle, além de líderes empresariais, investidores, académicos e representantes da sociedade civil.

Um dos momentos centrais decorre na manhã de 30 de junho, com foco na relação entre sustentabilidade, competitividade e transformação empresarial. O programa inclui a participação de Elkington, associado ao conceito de Triple Bottom Line, num debate sobre a forma como as empresas equilibram desempenho económico com impacto ambiental e social.

Ao longo desse dia, as sessões abordam investimento sustentável, modelos de negócio, competitividade e gestão de risco. O encerramento fica a cargo de uma keynote de Robert F. Engle, cujo trabalho sobre risco financeiro e volatilidade ganha relevância num ambiente global marcado pela incerteza.

Empresas enfrentam pressão para transformar a agenda ESG

No dia 1 de julho, a programação prossegue com sessões dedicadas a temas como a transição de metas climáticas para uma abordagem nature-positive, a Economia Azul, o business case do ODS 14, os SDG Meetings do Observatório dos ODS nas Empresas Portuguesas e a 2.ª Conferência de Impact Accounting Portugal. O objetivo passa por deslocar a agenda da sensibilização para a implementação e da ambição para a execução.

O enquadramento do encontro reflete uma perceção crescente no meio empresarial de que a sustentabilidade não está a perder relevância, mas sim a ser absorvida pela estratégia, pelas operações, pela governação e pela gestão de risco. Nesse cenário, o debate deixa de estar confinado a equipas especializadas e passa a influenciar competitividade, inovação e resiliência económica de longo prazo.

Ao mesmo tempo, o texto sublinha que o aumento do ruído, da polarização e da desinformação tem amplificado a perceção de recuo da sustentabilidade dentro das organizações. Ainda assim, a evolução dos mercados financeiros, do investimento e das exigências regulatórias indica que o tema continua no centro das decisões empresariais e da alocação de capital.

Na nossa publicação anterior sobre os projetos de energia renovável da Engie em Mogadouro, destacámos o debate em torno do envolvimento das comunidades locais e da necessidade de maior transparência desde o início dos processos. Referimos os planos de hibridização eólica e solar em centrais transmontanas e as preocupações municipais com a escala dos investimentos, o impacto territorial e o regime de compensações.

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