Incentea reforça oferta industrial com compra de 51% da Kaizen Tech em Portugal

Incentea reforça oferta industrial com compra de 51% da Kaizen Tech em Portugal
Incentea compra Kaizen Tech

Num contexto de pressão sobre custos energéticos e cadeias de abastecimento, a Incentea adquiriu 51% da consultora Kaizen Tech, sediada em Vila Nova de Gaia. A operação, concluída esta semana, alarga a presença do grupo português na eficiência operacional e junta consultoria de processos ao seu portefólio de software empresarial.

Destaques

  • Incentea adquiriu 51% da Kaizen Tech em Portugal, consolidando a liderança de Paulo Martins e integrando metodologias Kaizen à sua oferta industrial.
  • A Incentea reportou receitas consolidadas de 24 milhões de euros em 2025, um aumento de 5,4%, beneficiando agora de contratos indexados ao desempenho produtivo dos clientes.
  • A operação expande o acesso de indústrias portuguesas médias a soluções integradas de software, sensores e formação orientada para eficiência, apoiada por incentivos públicos e estratégia de expansão ibérica.

Aquisição junta software e melhoria contínua

ThePortugalPost avançou que a Incentea passou a deter uma posição maioritária na Kaizen Tech, empresa especializada em redução de desperdício e aumento de produtividade com base em metodologias de melhoria contínua de origem japonesa. Com a operação, Paulo Martins, administrador da Incentea Capital SGPS, assume a liderança executiva da Kaizen Tech, substituindo David Tavares.

Os sócios fundadores, Grupo Amorim e Instituto Kaizen, mantêm participações minoritárias e presença na estrutura de governação, preservando continuidade desde o arranque da empresa em 2021. A integração acrescenta competências de otimização industrial à oferta da Incentea, que registou 24 milhões de euros de receitas consolidadas no último ano, mais 5,4% em termos homólogos, e opera em oito países.

A Kaizen Tech trabalha no terreno com fábricas, operadores logísticos e outros clientes para mapear fluxos de trabalho, identificar estrangulamentos e instalar sistemas de monitorização em tempo real. Entre as soluções usadas está o TrackSYS Manufacturing Execution System, plataforma desenvolvida inicialmente dentro da Corticeira Amorim e mais tarde transformada em produto comercial, combinando sensores, painéis de controlo e práticas Kaizen.

Segundo António Poças, presidente executivo da Incentea, o negócio responde a um momento em que energia, matérias-primas e logística pesam mais nas contas das empresas. Para a Incentea, a compra também abre uma nova via de receitas ligada a ganhos de produtividade, incluindo contratos indexados ao desempenho obtido pelos clientes.

Impacto esperado na indústria portuguesa

Para fabricantes portugueses de média dimensão, a operação tende a alargar o acesso a ferramentas e métodos que até aqui estavam mais associados a grandes grupos industriais. Setores como têxtil, metalomecânica, agroalimentar e cerâmica podem passar a receber propostas integradas com licenças de software, instalação de sensores e programas de melhoria operacional com metas de desempenho definidas.

Nas unidades produtivas, o modelo Kaizen costuma traduzir-se em mais ações de formação e em sessões de melhoria rápida no chão de fábrica, nas quais os trabalhadores identificam falhas e sugerem ajustes. Isso pode criar oportunidades de progressão e qualificação, embora também aumente a pressão por ganhos contínuos de eficiência.

O negócio surge numa fase em que Portugal procura reforçar competitividade industrial, num quadro de salários em subida, escassez de mão de obra qualificada e preços de eletricidade voláteis. Os incentivos públicos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência favorecem projetos de transição digital e verde, o que pode apoiar a adoção de soluções que combinem consultoria de processos com tecnologia.

A aquisição encaixa ainda na estratégia recente de expansão da Incentea, após compras anteriores em Espanha e Angola. O objetivo passa por reforçar vendas cruzadas na Península Ibérica e posicionar o grupo em nichos com receitas recorrentes, numa altura em que empresas tecnológicas procuram capturar mais valor ao juntar software, hardware e serviços de consultoria numa só oferta.

Na nossa publicação, analisámos as fortes disparidades de produtividade do trabalho em Portugal, com empresas mais produtivas a gerarem, em média, 4,2 euros de valor acrescentado bruto por cada euro gasto com pessoal, contra 0,6 euros nas menos produtivas. O mesmo enquadramento destacou que energia e ambiente lideram este indicador e que a escala conta: as grandes empresas exibem uma produtividade média cerca de 40% superior às pequenas, evidenciando desafios estruturais e a necessidade de ganhos de eficiência.

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