Delta Cafés avança para compra da Mocoffee com investimento próximo de 10 milhões

Delta Cafés avança para compra da Mocoffee com investimento próximo de 10 milhões
Delta investe na Mocoffee

A Mocoffee procura assegurar a continuidade da atividade através de um plano de recuperação que passa pela entrada da Delta Cafés como futura acionista única. A operação inclui uma injeção direta de capital, refinanciamento de parte do passivo e ainda depende da aprovação do plano e de luz verde da Autoridade da Concorrência.

Destaques

  • Delta Cafés planeja investir cerca de 10 milhões de euros para adquirir a Mocoffee, incluindo uma injeção direta de 3 milhões para tesouraria.
  • O plano propõe pagar 35,6% dos créditos comuns (5,48 milhões de euros) com um perdão de 64,4%, alterando a versão inicial que previa 100% em 12 anos sem juros.
  • Devido à triplicação do preço do café em 2024, a Mocoffee sofreu queda de 32,1% no volume de negócios em 2025, para 8,9 milhões de euros e agravou liquidez.

Plano de recuperação prevê entrada da Delta

Como noticiou o Negócios, a versão final do plano depositado no final de junho no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa prevê que a Delta desembolse perto de 10 milhões de euros para adquirir a Mocoffee, fabricante de cápsulas de café com unidade industrial na Azambuja e capacidade para produzir 350 milhões de cápsulas por ano.

Nos termos do documento, a empresa do Grupo Nabeiro injeta diretamente 3 milhões de euros para responder a necessidades correntes de tesouraria, incluindo dívidas vencidas durante o PER à Autoridade Tributária e à Segurança Social. Além disso, compromete-se a refinanciar a totalidade do montante a pagar aos credores comuns numa única prestação a liquidar até 30 dias após o trânsito em julgado da decisão que homologar o plano, num valor total próximo de 6,5 milhões de euros.

A parcela principal desse montante corresponde a 5,48 milhões de euros, equivalente a 35,6% dos créditos comuns sobre 15,40 milhões de euros, acrescida de valores em dívida relativos a leasings e aluguer de equipamentos operacionais. A proposta altera de forma relevante a versão inicial do plano, que previa o pagamento de 100% do capital ao longo de 12 anos sem juros, passando agora a contemplar um perdão de 64,4% para a generalidade dos credores comuns.

O documento justifica esta revisão com as condições exigidas pela Delta para avançar com o investimento. Segundo o plano, a compradora só aceita comprometer-se com a aquisição se o passivo for reduzido para níveis compatíveis com uma operação viável e sustentável no futuro.

Emprego e pressão no setor do café

O plano sustenta que, apesar de ser mais penalizador para credores comuns do que a proposta inicial, a solução oferece uma recuperação imediata de 35,6%, muito acima dos 4,8% estimados num cenário de liquidação, que implicaria ainda uma espera de anos. O texto acrescenta que esta via é apresentada como a única capaz de manter a empresa em atividade, preservar postos de trabalho e permitir relações comerciais futuras.

A Mocoffee emprega 32 trabalhadores e o plano refere que não estão previstas medidas com impacto no emprego, como despedimentos, redução temporária do período normal de trabalho ou suspensão de contratos. Está também prevista uma operação harmónio, com redução do capital social de 5,5 milhões de euros para zero para cobertura de prejuízos, seguida de um aumento de capital de 1,5 milhões de euros integralmente subscrito pela Delta e de prestações acessórias de mais 1,5 milhões, perfazendo a injeção total de 3 milhões.

Fundada em 2016 na Azambuja, a Mocoffee Europe serve mercados como Suíça, França, U.S. e Japão. O plano indica que, apesar de um desempenho financeiro globalmente positivo entre 2019 e 2024, o ano de 2024 foi particularmente difícil para a empresa e para o setor, com a triplicação do preço do café nos mercados mundiais a pressionar a tesouraria, a reduzir o fornecimento e a alterar prazos de pagamento de 90 dias para regimes de pré-pagamento.

Esse contexto agravou a liquidez da empresa e contribuiu para uma queda de 32,1% no volume de negócios em 2025, para 8,9 milhões de euros. O documento refere ainda que, ao longo de 2025, foram instauradas várias ações executivas contra a empresa, circunstância que antecede a apresentação ao PER em fevereiro; para a operação avançar, o plano de recuperação ainda tem de ser aprovado e obter autorização da Autoridade da Concorrência.

O fundo de fundos de 1,5 mil milhões de euros do Banco Português de Fomento, que a nossa publicação já analisou, foi apresentado como um instrumento para mobilizar mais investimento privado e reforçar os capitais próprios de startups e PME através de fundos intermediários. Na altura, sublinhámos que a iniciativa procurava reduzir a dependência de dívida bancária e apoiar o crescimento e consolidação empresarial, com foco em áreas como transição verde, digitalização e inteligência artificial.

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