BPF prepara fundo de fundos para reforçar capitalização das empresas em Portugal

BPF prepara fundo de fundos para reforçar capitalização das empresas em Portugal
Novo fundo para empresas

O Banco Português de Fomento está a ultimar com o Governo um fundo de fundos que pretende dar continuidade ao Fundo de Capitalização e Resiliência e apoiar o reforço de escala das empresas em Portugal. O instrumento é apresentado como distinto do fundo soberano anunciado pelo primeiro-ministro e deverá avançar com concurso no final deste ano, com desembolsos ao longo de cerca de três anos.

Destaques

  • Banco Português de Fomento prepara um novo fundo de fundos, com lançamento previsto para o final de 2024 e desembolso por três anos, para reforçar capitalização empresarial.
  • Nos primeiros 18 meses do Fundo de Capitalização e Resiliência, BPF mobilizou 1.361 milhões de euros e capitalizou 200 empresas, atingindo 112% da meta do PRR.
  • Novo fundo priorizará investimento privado sobre público, sendo agnóstico em relação a setores e focado em PME, com modelo de comissão tradicional e enfoque na contenção de riscos.

Novo veículo de capitalização e calendário previsto

Como noticiou o Jornal de Negócios, o presidente do Banco Português de Fomento, Gonçalo Regalado, afirmou numa audição parlamentar que o novo fundo de fundos está a ser fechado com o ministro da Economia e da Coesão Territorial e com o ministro de Estado e das Finanças. O responsável disse que este mecanismo representa, no léxico empresarial, uma continuidade do Fundo de Capitalização e Resiliência, que o banco considera ter sido um instrumento bem-sucedido na capitalização das empresas.

Segundo Gonçalo Regalado, nos primeiros 18 meses do mandato da atual administração do BPF, o Fundo de Capitalização e Resiliência mobilizou 1.361 milhões de euros junto das empresas e capitalizou 200 empresas. Acrescentou ainda que há 1.176 milhões de euros elegíveis no âmbito do PRR, o que corresponde, segundo o gestor, a uma execução de 112% do objetivo inicial.

O presidente do banco indicou que a proposta foi apresentada ao Governo para fortalecer o investimento empresarial, reforçar a capitalização e fomentar processos de consolidação que permitam às empresas ganhar escala. O concurso deverá ser lançado no final deste ano e o desembolso prolongar-se por cerca de três anos, a par de uma dotação contínua que, segundo o responsável, evita um vazio após o fim do FdCR.

Regalado adiantou também que o fundo será agnóstico em relação aos setores abrangidos e que a seleção não caberá ao BPF nem ao Governo. A gestão e o acompanhamento deverão ficar nas mãos das entidades promotoras, da CMVM e das restantes entidades de supervisão do capital em Portugal.

Impacto esperado no financiamento das PME

O responsável defendeu que o novo modelo deverá mobilizar mais capital privado do que público, ao contrário do Fundo de Capitalização e Resiliência, em que o Estado teve um peso de 70%. Na sua perspetiva, o papel do Estado deve ser o de mobilizador, criando adicionalidade no mercado em vez de substituir investimento privado.

Gonçalo Regalado sublinhou também a relevância das micro, pequenas e médias empresas na atividade do BPF. Segundo os dados apresentados, 99% das 35 mil empresas apoiadas no último ano e meio enquadram-se nessa tipologia e receberam 96% do financiamento e dos instrumentos colocados.

Por estar tendencialmente orientado para investimento em PME, o fundo de fundos deverá seguir um modelo de comissões tradicional, equilibrado e mais conservador em matéria de rendimentos do que os fundos privados tradicionais. O gestor disse ainda que o objetivo é multiplicar valor sem expor o instrumento a perdas futuras relevantes.

Na intervenção, o presidente do BPF destacou ainda os resultados do banco no primeiro semestre, com 3.250 milhões de euros em garantias colocadas em 15 mil empresas. O banco soma ainda 1.800 empresas com projetos de investimento de quase 3.000 milhões de euros aprovados no IFIC, 1.100 milhões de euros de subvenção do PRR, 60 milhões de euros de capital em mais de 30 empresas e 150 milhões de euros de financiamento em três novos projetos.

O fundo de fundos de 1,5 mil milhões de euros do Banco Português de Fomento, que a nossa publicação já analisou, foi apresentado como um instrumento para mobilizar investimento privado e reforçar os capitais próprios de startups e PME através de fundos intermediários. Na altura, destacámos que a iniciativa procurava reduzir a dependência de dívida bancária e canalizar recursos para áreas como transição verde, digitalização e inteligência artificial, no âmbito de um pacote mais amplo de medidas.

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