SDR em Portugal agrava custos de exportação no grossista alimentar
Mais de um mês após a entrada em vigor do Sistema de Depósito e Reembolso, empresas da distribuição grossista alimentar dizem que o modelo está a criar entraves relevantes às vendas para mercados externos. A ausência de um mecanismo para recuperar o valor do depósito em mercadorias destinadas à exportação está a reduzir a competitividade de operadores nacionais, sobretudo PME com margens reduzidas.
Destaques
- Desde 10 de abril, o SDR em Portugal impõe custos de depósito que, em casos analisados pela ADIPA, ultrapassam 100% do valor faturado da mercadoria exportada.
- O sistema SDR pressiona especialmente PME exportadoras, que reportam perdas de encomendas para concorrentes estrangeiros sem encargos equivalentes desde a sua implementação.
- A ADIPA critica a ausência de um mecanismo eficiente para reembolso do depósito nas exportações, alertando para o risco de afastar empresas nacionais dos mercados externos.
Falhas do sistema pressionam operações externas
A ADIPA defende, em texto publicado pelo Jornal de Negócios, que o SDR, em vigor desde 10 de abril e gerido pela SDR Portugal, ainda deixa por resolver questões com impacto direto na atividade das empresas, em especial na componente exportadora.A associação afirma que os objetivos ambientais do regime são legítimos, nomeadamente no reforço da recolha e reciclagem de embalagens de bebidas não reutilizáveis em plástico, metais ferrosos e alumínio. Ainda assim, considera que a arquitetura do sistema não acautela devidamente as vendas para o exterior, incluindo negócios transfronteiriços com Espanha, mercados dos PALOP e o chamado mercado da saudade na EU.
Segundo a ADIPA, em várias referências o valor do depósito tem um peso económico semelhante ou até superior ao valor unitário do produto, tornando a comercialização externa inviável. Num dos exemplos apresentados, uma encomenda de 76.032 garrafas de água de 0,33 litros gera 6.843 euros de faturação da mercadoria e 7.603,20 euros relativos ao depósito, o equivalente a 111% do valor faturado dos bens.
Noutro caso de encomenda mista, com água de 0,33 litros, água de 1,5 litros e refrigerantes, o peso do SDR representa 82% do valor da mercadoria faturada. Para a associação, estes valores ilustram uma perda de competitividade que já está a afetar as exportações e a favorecer concorrentes internacionais sem encargos equivalentes.
Competitividade das PME fica sob pressão
A ADIPA considera inaceitável que a SDR Portugal ainda não tenha criado um mecanismo transparente e célere que permita aos operadores recuperar o depósito pago quando provam que as mercadorias se destinam a mercados de exportação. Na sua leitura, um sistema desenhado para melhorar a gestão de resíduos em território nacional não deve penalizar de forma desproporcionada bens que não são consumidos em Portugal nem geram custos de tratamento para o próprio sistema.A associação diz que as consequências já se fazem sentir desde a entrada em vigor do SDR, com empresas associadas a perderem encomendas e a serem substituídas por concorrentes estrangeiros. Acrescenta que o problema atinge sobretudo pequenas e médias empresas, num canal de distribuição que opera com margens baixas e enfrenta concorrência elevada no mercado nacional e internacional.
Em termos de política pública, a posição da ADIPA é que deve existir coerência entre metas ambientais e proteção da competitividade externa das empresas portuguesas. A associação reconhece as dificuldades e a complexidade da implementação do SDR, mas sustenta que isso não justifica a ausência de respostas para um problema que, diz, ameaça negócios, emprego e presença das empresas nacionais nos mercados externos.
Na nossa publicação, acompanhámos as novas restrições que o Banco de Portugal está a preparar para o crédito à habitação, com a redução da taxa de esforço máxima de 50% para 45%. O enquadramento apontava para a preocupação do supervisor com o aumento de operações de risco elevado e para a necessidade de reforçar a prudência e a estabilidade do sistema financeiro.
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