Zona euro recupera sentimento económico em maio, com alívio parcial para Portugal
Após vários meses de perda de confiança, o sentimento económico na zona euro regista uma ligeira melhoria em maio, num sinal de estabilização para Portugal e para os seus parceiros comerciais europeus. A subida interrompe uma sequência de três meses de queda, mas os indicadores continuam abaixo da média de longo prazo, o que aponta para uma recuperação ainda frágil.
Destaques
- O indicador de sentimento económico da zona euro subiu para 93,5 pontos em maio, acima das previsões e dos 93,2 pontos de abril.
- Serviços e confiança dos consumidores melhoraram, enquanto o indicador de expectativas de emprego aumentou para 94,7 na zona euro e 95,4 na União Europeia.
- Sentimento industrial caiu de -7,7 para -8,0 e construção recuou pelo terceiro mês consecutivo, refletindo riscos persistentes para investimento e poder de compra.
Serviços e emprego sustentam melhoria
Como reporta o ThePortugalPost.com, a Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia indica que o indicador de sentimento económico da zona euro sobe para 93,5 pontos em maio, face a 93,2 em abril, contrariando previsões de nova descida para 92,5.O movimento é apoiado sobretudo por uma recuperação parcial nos serviços e na confiança dos consumidores. A confiança nos serviços avança de 1,4 para 2,2 pontos entre abril e maio, enquanto a confiança dos consumidores melhora de -20,6 para -19,0 pontos.
Para Portugal, onde turismo, hotelaria e consumo interno têm um peso relevante, esta evolução sugere alguma resistência da procura doméstica. O indicador de expectativas de emprego também melhora, para 94,7 na zona euro e 95,4 na União Europeia, na primeira subida após três meses de recuo, embora ambos permaneçam abaixo da referência histórica de 100.
Indústria, comércio e construção mantêm pressão
A leitura setorial continua desigual. O sentimento industrial na zona euro desce de -7,7 em abril para -8,0 em maio, refletindo constrangimentos ligados a cadeias de abastecimento, custos energéticos elevados e procura global mais fraca.O comércio a retalho também perde confiança, pressionado por vendas menos robustas e menores intenções de encomenda. Na construção, a atividade da zona euro contrai pelo terceiro mês consecutivo em maio, afetada por taxas de juro elevadas e pelo aumento dos custos dos materiais.
Para Portugal, estas tendências apontam para um enquadramento misto. A melhoria nos serviços pode apoiar o emprego e a atividade em áreas onde o país é mais competitivo, mas a fraqueza persistente na indústria, no retalho e na construção mantém riscos para o investimento, para o poder de compra das famílias e para o ritmo global da economia.
Na nossa publicação anterior sobre a reforma laboral “Trabalho XXI”, detalhámos as principais alterações propostas ao Código do Trabalho, incluindo mudanças em despedimentos, contratos a prazo e banco de horas. Também analisámos a contestação política e sindical ao diploma, com o debate parlamentar e a greve geral convocada pela CGTP a evidenciarem a tensão em torno de salários, direitos e precariedade.
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