Inflação em Portugal mantém-se nos 3,3% em maio, com energia a agravar pressão sobre famílias
A inflação homóloga em Portugal mantém-se em 3,3% em maio, sinalizando uma estabilização após a aceleração observada em abril. A travagem do aumento dos preços dos alimentos frescos contrasta com uma subida de 13,2% nos produtos energéticos, que continua a pesar no orçamento das famílias.
Destaques
- A inflação em Portugal manteve-se em 3,3% em maio, com maior pressão sobre as famílias devido ao aumento dos custos de energia.
- O BCE reviu em alta suas projeções de inflação para junho, citando preços do petróleo acima do esperado como principal fator de risco.
- Os mercados atribuem 91% de probabilidade a uma subida de 25 pontos base na taxa de depósito do BCE em 10 e 11 de junho, afetando custos de crédito e investimento até 2026.
Impacto nas famílias e expectativas para juros
Para os consumidores, a leitura de maio indica uma erosão continuada do poder de compra concentrada sobretudo em combustíveis e aquecimento. Ao mesmo tempo, a estabilidade da inflação subjacente sugere que a pressão sobre bens e serviços fora de alimentos e energia ainda não se generaliza de forma mais ampla.O economista-chefe do BCE, Philip Lane, afirma que a instituição revê em alta as projeções de inflação em junho devido aos preços do petróleo acima do esperado em março. Segundo o responsável, um choque energético prolongado pode alargar os efeitos a outras categorias de preços, embora tenha evitado antecipar uma decisão específica sobre taxas de juro.
Os mercados atribuem uma probabilidade de 91% a uma subida de 25 pontos base na taxa de depósito na reunião de 10 e 11 de junho, em Frankfurt. Se esse aumento avançar, o impacto pode traduzir-se em prestações mais elevadas para créditos à habitação com taxa variável e em custos de financiamento mais altos para as empresas, condicionando investimento e consumo ao longo de 2026.
Na nossa matéria anterior sobre a inflação nas maiores economias da zona do euro em maio, destacamos que os índices seguiram acima da meta de 2% do BCE, reforçando as apostas de um aumento de juros já em junho. Também apontamos que o choque energético ligado ao conflito no Oriente Médio continuava a pressionar os preços e alimentava o debate no BCE sobre o risco de efeitos secundários em outras categorias, apesar de sinais de desaceleração em parte da região.
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