Portugal agrava saldo orçamental e regressa ao défice até abril

Portugal agrava saldo orçamental e regressa ao défice até abril
Défice volta em Portugal

As contas públicas voltam a apresentar um défice em abril, interrompendo quase dois anos de execução orçamental sem saldo negativo. O agravamento surge num contexto de abrandamento da receita fiscal e de despesa a crescer acima do ritmo previsto para a economia neste ano.

Destaques

  • Portugal registou um défice orçamental de 1.547,7 milhões de euros até abril, deteriorando o saldo em mais de 1,7 mil milhões face a 2023.
  • Uma injeção de capital de mais de 1,2 mil milhões de euros em março para pagar fornecedores do SNS foi o principal fator do agravamento.
  • Mesmo sem a despesa extraordinária com o SNS, o défice manteve-se em 413,4 milhões de euros devido à receita fiscal fraca e despesa crescente.

Execução orçamental até abril

Como noticiou o Jornal de Negócios, os dados de execução orçamental divulgados nesta sexta-feira mostram que as administrações públicas passam a registar um défice de 1.547,7 milhões de euros até abril.

Face ao mesmo período do ano passado, a deterioração do saldo em contabilidade pública supera 1,7 mil milhões de euros. O regresso ao défice acontece pela primeira vez em quase dois anos de execução orçamental.

Pressão da despesa e efeito do SNS

Grande parte do agravamento é explicada por uma injeção de capital superior a 1,2 mil milhões de euros realizada em março para pagar a fornecedores do SNS.

Ainda assim, mesmo excluindo essa despesa extraordinária, mantém-se um défice de 413,4 milhões de euros. Os números reforçam a pressão sobre as contas públicas num momento em que a receita fiscal persiste em abrandar e a despesa continua a crescer acima do previsto para a economia portuguesa em 2026.

Na nossa análise anterior sobre a pressão dos preços da energia em Portugal em 2026, detalhámos como a volatilidade do gás natural e do GNL, num contexto de tensão geopolítica, pode traduzir-se em subidas relevantes nos custos para famílias e empresas. Também destacámos que, apesar do peso elevado das renováveis na produção doméstica, a dependência energética externa mantém o país exposto a choques, com potenciais efeitos no crescimento e na necessidade de reforçar investimento em redes, armazenamento e segurança energética.

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