Petróleo sobe com troca de ataques entre EUA e Irã
Os preços do petróleo subiram nesta segunda-feira após os Estados Unidos anunciarem ataques a alvos militares iranianos e Teerã afirmar que retaliou contra uma base aérea utilizada pelos EUA, aumentando a tensão sobre um cessar-fogo já frágil. A troca de ataques intensificou o temor do mercado de que as negociações para reabrir o Estreito de Hormuz possam fracassar justamente quando operadores buscavam sinais de um acordo mais amplo.
Destaques
- Ataques entre EUA e Irã continuam apesar do cessar-fogo, aumentando dúvidas sobre a durabilidade das negociações.
- O petróleo subiu mais de 2% com operadores precificando o risco de uma interrupção prolongada em Hormuz.
- Um acordo preliminar foca na reabertura do estreito, limites nucleares, alívio de sanções e receitas iranianas congeladas.
- A escalada de Israel no Líbano complica a diplomacia ao ligar a crise do Golfo à frente do Hezbollah.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Ataques testam o cessar-fogo
Segundo a Reuters, o Comando Central dos EUA informou que caças americanos atingiram defesas aéreas iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones de ataque unidirecional após o Irã derrubar um drone MQ-1 dos EUA, que Washington afirma estar sobre águas internacionais. A Guarda Revolucionária do Irã declarou ter respondido atacando uma base aérea usada por forças americanas, sem identificar a instalação. O Kuwait, que abriga uma grande presença militar dos EUA, relatou interceptações de mísseis e drones enquanto sirenes soavam em todo o país.
A troca mais recente segue incidentes semelhantes na semana passada e ressalta como ações militares limitadas continuam apesar do cessar-fogo em vigor desde abril. A guerra, iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, já matou milhares e desestabilizou os mercados de energia, principalmente devido ao fechamento efetivo do Estreito de Hormuz pelo Irã.
Diplomacia enfrenta pressão do mercado
Negociadores de Washington e Teerã trocaram propostas de alterações no fim de semana para um acordo preliminar que visa estender o cessar-fogo e reabrir Hormuz. As principais divergências permanecem: programa nuclear iraniano, alívio de sanções, receitas petrolíferas iranianas congeladas e a ligação entre qualquer acordo no Golfo e a campanha crescente de Israel contra o Hezbollah no Líbano. Um rascunho de proposta exigiria que o Irã reabrisse o estreito e restabelecesse o tráfego aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias, embora as garantias de segurança ainda sejam incertas.
O presidente Donald Trump afirmou nas redes sociais que o Irã “realmente quer fechar um acordo” e rejeitou críticas de republicanos céticos quanto às negociações. Mas ele está sob pressão para reduzir os preços da gasolina antes das eleições legislativas, evitando concessões que possam irritar os setores mais duros em relação ao Irã.
WTI era negociado a US$ 89,74, alta de 2,72%, enquanto o Brent subia 2,37% para US$ 93,28. O Estreito de Hormuz segue como principal risco de mercado: em 2024 e início de 2025, os fluxos pela passagem representaram mais de um quarto do comércio global de petróleo por via marítima e cerca de um quinto do consumo mundial de derivados.
Mercados de energia enfrentam gargalo crítico
O conflito é relevante porque o Estreito de Hormuz não é apenas uma questão de segurança regional; trata-se de um canal global de inflação.
Com o WTI próximo de US$ 90 e o Brent acima de US$ 93, cada novo ataque próximo às rotas marítimas do Golfo aumenta o risco de custos de combustível mais altos, queda na confiança do consumidor e pressão política sobre Washington para garantir um acordo duradouro.
Em relatório anterior, destacamos que o acordo de Hormuz aguarda decisão de Trump enquanto o petróleo recua.
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