IPAM estima impacto económico do Mundial 2026 até 945 milhões de euros em Portugal

IPAM estima impacto económico do Mundial 2026 até 945 milhões de euros em Portugal
Impacto do Mundial 2026

A expansão do Campeonato do Mundo de futebol para 48 seleções e 104 jogos reforça a expectativa de ganhos para setores ligados ao consumo, media e plataformas digitais em Portugal. Um estudo do IPAM indica que o torneio de 2026 pode gerar entre 378 milhões e 945 milhões de euros, consoante o desempenho da seleção nacional.

Destaques

  • O IPAM estima que o impacto económico do Mundial 2026 em Portugal pode variar entre 378 milhões e 945 milhões de euros, dependendo da performance da seleção.
  • O consumo doméstico representa 26% do impacto previsto, seguido da restauração com 15% e publicidade e media com 14%, destacando a ascensão da economia digital.
  • O estudo identifica desafios estratégicos para marcas e media, sublinhando a necessidade de ativação em tempo real e integração entre televisão, streaming e conteúdos digitais.

Estimativas do estudo e motores de crescimento

Como noticiou o Jornal de Negócios, o Instituto Português de Administração de Marketing estima, em comunicado divulgado esta terça-feira, que o Mundial de 2026 pode representar o maior impacto económico de sempre em Portugal associado a uma competição que o país não organiza. O cenário mínimo, correspondente à fase de grupos, aponta para 378 milhões de euros, enquanto uma chegada aos oitavos de final eleva o valor para 561 milhões de euros e uma eventual conquista do título leva a estimativa até 945 milhões de euros.

O estudo, desenvolvido pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM com base no modelo de previsão de impacto económico do UK Sport, identifica quatro fatores para este crescimento: aumento do poder de compra, realização da prova em mercados de elevada capacidade económica, nos U.S., Canadá e México, alargamento da competição e consolidação da economia digital como nova fonte de valor.

Daniel Sá, diretor executivo do IPAM, afirma no comunicado que o futebol já não concentra o seu valor apenas no estádio ou no país anfitrião. Segundo o responsável, o impacto é cada vez mais criado através do consumo, da atenção, da interação digital e da capacidade dos adeptos amplificarem o evento.

Efeitos no consumo, media e economia digital

Segundo a análise, o consumo doméstico surge como a principal categoria de impacto, com 26% do total, seguido da restauração, com 15%, e da publicidade e media, com 14%. No bloco digital, as plataformas de streaming e OTT representam 10%, o engagement nas redes sociais soma 7% e a content economy contribui com 6%. As apostas pesam 6%, enquanto cartas e cromos valem 5% e o merchandising representa 4%.

O IPAM destaca ainda o adepto como novo ativo económico, estimando que um adepto casual pode gerar entre 40 e 70 euros durante a competição, enquanto perfis mais intensivos e digitais atingem valores superiores pela combinação de consumo recorrente, presença multiplataforma e influência sobre outros consumidores.

Para marcas, media e entidades públicas, o estudo aponta desafios estratégicos ligados à ativação em tempo real, à combinação entre televisão, streaming e conteúdos digitais e à criação de novas receitas associadas à economia da atenção. A análise acrescenta que o Mundial de 2030, que terá Portugal como um dos países organizadores, não garante por si só impacto económico, já que o retorno dependerá da capacidade de ativação estratégica antes, durante e depois da competição.

Na nossa publicação anterior sobre a compensação da FIFA ao Benfica por Nicolás Otamendi no Mundial de 2026, explicámos que o clube mantém direito aos pagamentos diários do Programa de Benefícios para Clubes enquanto o contrato do defesa estiver em vigor. O texto detalhou como o valor pode rondar os 230 mil euros na fase de grupos e enquadrou o aumento do fundo total da FIFA para 2026, refletindo o alargamento do torneio a 48 seleções.

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