PME portuguesas reforçam aposta nas exportações para sustentar crescimento

PME portuguesas reforçam aposta nas exportações para sustentar crescimento
Exportações impulsionam PME

A internacionalização ganha peso na estratégia das pequenas e médias empresas portuguesas num contexto de maior concorrência global e de procura por novos mercados. As exportações nacionais crescem 2,5% no último ano e atingem 79,3 mil milhões de euros, reforçando a relevância do mercado externo para o tecido empresarial.

Destaques

  • PME portuguesas estão a apostar na exportação focando-se em qualidade, inovação e produtos de valor acrescentado, com destaque para calçado, têxtil e agroalimentar.
  • União Europeia mantém-se como principal destino das exportações, mas Estados Unidos mostram crescimento acentuado e compensam parcialmente perda no Reino Unido pós-Brexit.
  • Especialistas recomendam às PME abordagem gradual e seletiva dos mercados externos, com diagnóstico honesto da competitividade, apoio institucional e contacto direto com potenciais parceiros.

Estratégia de expansão e seleção de mercados

Como relatado pelo Jornal de Negócios, no podcast Conversas de Negócios, promovido pelo Crédito Agrícola, Pedro Fontes Falcão, co-diretor do Executive MBA do Iscte Executive Education, defende que exportar representa uma oportunidade decisiva para as PME, mas exige preparação e uma avaliação rigorosa da competitividade de cada empresa.

O especialista indica que vários setores portugueses deixam de competir apenas por preço e volume e passam a destacar-se por qualidade, inovação e valor acrescentado. Aponta o calçado como exemplo dessa mudança, com marcas nacionais posicionadas em segmentos de luxo e diferenciação, enquanto o têxtil reforça apostas em tecnologia, circularidade e materiais reciclados.

Além dos setores tradicionais, o agroalimentar, os vinhos, o azeite, a cortiça e a maquinaria industrial continuam a apresentar potencial nos mercados externos. Apesar do crescimento das vendas para fora da Europa, a União Europeia mantém-se como principal destino das exportações portuguesas, com Espanha, Alemanha e França entre os mercados mais relevantes, devido ao menor risco associado ao comércio dentro do espaço comunitário.

Pedro Fontes Falcão considera, ainda assim, que as PME devem diversificar destinos. Os Estados Unidos registam um dos crescimentos mais fortes nos últimos anos e compensam parcialmente a quebra observada no mercado britânico após o Brexit, enquanto países historicamente importantes como Angola e Brasil continuam a colocar desafios adicionais às empresas portuguesas.

Desafios operacionais e impacto no tecido empresarial

O docente alerta que a proximidade linguística não basta para garantir sucesso no Brasil. Segundo o especialista, hábitos de consumo, critérios de valorização do produto, sensibilidade ao preço e métodos de pagamento diferem do mercado português, o que obriga as empresas a estudarem em profundidade cada país antes de avançarem.

Entre os erros mais frequentes, destaca-se a ideia de que exportar pode compensar fragilidades no mercado interno. Pedro Fontes Falcão defende que as PME devem começar por um diagnóstico honesto da sua capacidade competitiva, identificando o que diferencia o produto, quais são as suas vantagens e se existe procura suficiente para justificar o investimento externo.

A entrada em mercados internacionais, acrescenta, deve ser gradual e concentrada. Em vez de tentar abordar vários destinos ao mesmo tempo, as empresas beneficiam de uma abordagem quase piloto, avaliando custos logísticos, proximidade geográfica, facilidade de acesso, conhecimento do mercado e credibilidade dos parceiros locais.

Embora as ferramentas digitais facilitem a recolha de informação, o contacto direto com o mercado continua a ser decisivo para reduzir risco e melhorar a execução comercial. A participação em feiras internacionais, visitas a pontos de venda e reuniões presenciais com parceiros, bem como o apoio de entidades como a AICEP, o IAPMEI e associações setoriais, podem reforçar a capacidade das PME para crescerem no exterior.

Na nossa publicação anterior sobre a agenda económica e empresarial da semana, destacámos a votação no Parlamento Europeu sobre a legislação do euro digital, um passo relevante para o avanço do projeto do BCE. O artigo também reuniu outros temas com impacto no ambiente económico, como a divulgação de indicadores da habitação em Portugal e acontecimentos corporativos relevantes para os mercados.

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