Contrafação custa 420 milhões de euros por ano à moda em Portugal
A indústria da moda em Portugal enfrenta perdas anuais de 420 milhões de euros associadas à contrafação, num impacto que atinge sobretudo o vestuário e os acessórios. O país surge na nona posição entre os 27 Estados-membros da União Europeia em vendas perdidas devido a produtos falsificados, num contexto de pressão acrescida sobre as PME.
Destaques
- A contrafação causa perdas anuais de 420 milhões de euros à moda em Portugal, com 337 milhões no vestuário e 83 milhões em malas, joalharia e relógios.
- No conjunto da União Europeia, o setor da moda regista perdas anuais de 12 mil milhões de euros e 2,7 mil milhões em acessórios falsificados, destacando impacto em fabricantes genuínos.
- O EUIPO alerta que Pequenas e Médias Empresas são especialmente vulneráveis à contrafação, com riscos adicionais para a saúde, segurança dos consumidores e ligações à criminalidade organizada.
Perdas anuais no vestuário e acessórios
Como revelou o Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia, a contrafação provoca perdas anuais de 337 milhões de euros no setor do vestuário em Portugal e de mais 83 milhões de euros nos segmentos das malas, da joalharia e dos relógios.No conjunto da União Europeia, o setor da moda e do vestuário regista perdas anuais estimadas em 12 mil milhões de euros. Já as malas, joias e relógios falsificados retiram aos fabricantes genuínos cerca de 2,7 mil milhões de euros em vendas por ano.
A Alemanha, com 3,3 mil milhões de euros, a Itália, com 2,3 mil milhões, e a França, com 2 mil milhões, lideram o impacto económico da contrafação em vendas perdidas. Espanha, Áustria, Polónia, Países Baixos, Suécia e Portugal completam a lista dos países mais afetados, com Portugal na nona posição.
Risco acrescido para PME e consumidores
Num comunicado divulgado esta terça-feira, o EUIPO sublinha que as Pequenas e Médias Empresas são particularmente vulneráveis a este tipo de infração, porque dependem muitas vezes de um número reduzido de desenhos ou modelos distintivos e dispõem de capacidade limitada para monitorizar e defender esses direitos.A instituição, sediada em Espanha e fundada em 1994, alerta ainda que o impacto da contrafação vai além das perdas económicas. Os produtos falsificados podem representar riscos graves para a saúde e segurança dos consumidores, além de efeitos negativos no ambiente, por frequentemente não cumprirem normas de segurança e qualidade.
O EUIPO acrescenta que estudos também mostram ligações entre o comércio de contrafação, redes de criminalidade organizada e, em alguns casos, exploração laboral.
Numa notícia anterior, analisámos o impacto da contrafação nos setores da moda em Portugal, com perdas anuais estimadas em 420 milhões de euros. O texto destacou que o vestuário concentra a maior fatia do prejuízo (337 milhões), enquanto malas, joalharia e relógios somam mais 83 milhões, num contexto em que o problema também pesa de forma significativa no conjunto da União Europeia.
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