Conta Lá avança com lay-off para cortar custos em meio a salários em atraso
O canal por cabo Conta Lá prepara uma reestruturação com recurso a lay-off para reduzir custos e evitar um desfecho mais drástico numa fase de pressão financeira. A medida surge num contexto de salários em atraso e de uma tentativa de garantir a continuidade da operação até setembro, quando a administração prevê reunir meios para acelerar investimento.
Destaques
- Conta Lá inicia processo de lay-off a partir de 15 de setembro para cortar custos e evitar um colapso imediato devido a dificuldades financeiras.
- Salários de maio permanecem em atraso para a maioria dos trabalhadores, com regularização total adiada para 31 de julho e risco de rescisões por dificuldades extremas.
- A empresa planeja reduzir custos fixos nos próximos 12 semanas e prioriza uma programação de baixo custo para garantir operação mínima e renovação diária.
Reestruturação entra em vigor nas próximas semanas
A Lusa noticiou, com base num email enviado na sexta-feira pelo presidente executivo Sérgio Figueiredo aos trabalhadores, que o canal vai aplicar um processo de lay-off como solução imediata para conter custos e manter a empresa em funcionamento, segundo o Jornal de Negócios. Na mensagem, o gestor indica que o projeto entra numa nova fase em setembro, com o dia 15 como referência, e que o objetivo até lá é evitar um colapso "drástico e definitivo".A comissão executiva defende que o recurso à suspensão temporária de contratos ou à redução de horário protege mais os trabalhadores e a empresa do que um despedimento coletivo, por manter o vínculo laboral e permitir reversibilidade. Sérgio Figueiredo afirma ainda que reduzir a escala de custos é vital nesta fase e que a empresa tem de encolher para recuperar capacidade mais tarde.
O gestor esclarece também que os trabalhadores ficam isentos de cumprir as obrigações contratuais a partir de segunda-feira, reconhecendo que a empresa não está em condições de exigir trabalho normal enquanto não existe certeza absoluta sobre a data do primeiro pagamento. Nas próximas 12 semanas, a empresa considera crítico encontrar uma grelha de programas de baixo custo que mantenha a perceção de renovação diária da oferta.
Salários em atraso agravam pressão no setor
Segundo a administração, o atraso no pagamento dos salários de maio resulta da falta de fundos suficientes para pagar a totalidade dos trabalhadores. A empresa conseguiu regularizar a situação de cerca de 40 pessoas, mas a maioria continua sem receber os montantes em dívida.Sérgio Figueiredo adianta que, apesar de lhe ter sido assegurado o pagamento até ao dia 7 de uma verba que permitiria liquidar todos os vencimentos e prestações de serviço de maio, a única data possível para o acerto de contas é 31 de julho. Ainda assim, a administração diz continuar a tentar antecipar esse prazo e admite cooperar com trabalhadores que, em caso de dificuldades financeiras extremas, pretendam desvincular-se rapidamente para procurar outra fonte de rendimento.
O lay-off permite à empresa reduzir temporariamente o horário de trabalho ou suspender contratos, sendo a remuneração dos trabalhadores afetados parcialmente assegurada pelo Estado através da Segurança Social, entre 60% e 70%. O Conta Lá transmite no cabo desde 2025 e aposta numa programação dirigida às regiões e ao jornalismo de proximidade.
Na nossa publicação, analisámos a reestruturação em curso na indústria automóvel europeia e os seus efeitos em Portugal, com fabricantes e fornecedores a acelerarem cortes e ajustes para responder à concorrência chinesa e à transição para veículos elétricos. O texto destacava medidas como reduções de postos de trabalho na Renault e na Volkswagen, além do impacto em empresas nacionais como a Coindu, que avançou com despedimentos e recorreu ao lay-off como forma de ajustar custos e capacidade.
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