CIP diz que greve geral tem adesão residual na economia portuguesa
A paralisação convocada em Portugal tem, segundo a Confederação Empresarial de Portugal, um impacto reduzido na atividade da maioria das empresas. A associação patronal afirma que os níveis de adesão ficam abaixo dos registados na greve de 11 de dezembro e que a operação empresarial decorre sem perturbações relevantes.
Destaques
- A Confederação Empresarial de Portugal afirma que a greve geral teve adesão nula ou residual entre a maioria das empresas privadas portuguesas.
- Nos setores elétrico, eletrónico e agroindustrial, apenas 2% a 3% dos trabalhadores aderiram à greve, com dezenas de grevistas em todo o país.
- A CIP destaca impacto limitado da greve na economia real, menor adesão nos serviços públicos comparado a dezembro e apela ao retomar do diálogo social.
Adesão reportada pelos setores empresariais
Conforme informou a Confederação Empresarial de Portugal, em comunicado citado pelo Jornal de Negócios, os dados disponíveis apontam para uma greve geral que "passou ao lado da grande maioria das empresas portuguesas". A CIP diz que os seus associados reportam níveis de paralisação nulos ou pouco expressivos, em geral limitados a trabalhadores com maior ativismo sindical.A associação refere que setores como a indústria química, metalomecânica, têxtil, calçado, madeira, mobiliário, automóvel, grande distribuição e farmacêutica praticamente não registam adesões em qualquer ponto do país. Nos setores elétrico, eletrónico e agroindustrial, a CIP indica que, nas unidades com maior número de trabalhadores em greve, a adesão fica entre 2% e 3%.
Segundo a entidade liderada por Armindo Monteiro, em várias áreas o número de trabalhadores em greve identificados em todo o país não ultrapassa as dezenas. A CIP acrescenta ainda que farmácias, seguros e várias indústrias não reportam faltas associadas à paralisação.
Impacto limitado e apelo ao diálogo
A confederação empresarial sustenta que a greve não afeta nenhum setor da economia nem perturba o funcionamento normal das empresas, com exceção dos setores públicos tradicionalmente mais expostos, como transportes, saúde, educação e autarquias. A organização sublinha também que, desta vez, há menos adesões nos serviços públicos do que na greve de dezembro.No entendimento da CIP, o reduzido impacto na economia real reforça a necessidade de retomar o diálogo social e político. A associação defende que o país deve "virar a página" da conflitualidade laboral sem expressão significativa na atividade das empresas.
Na nossa publicação anterior sobre a greve geral de 3 de junho, explicámos que a paralisação convocada pela CGTP estava ligada à contestação do pacote laboral do Governo e às propostas de alteração ao Código do Trabalho, com debate marcado no Parlamento para 18 de junho. Também referimos a leitura do Executivo de que a adesão foi mais visível no setor público e mais baixa no privado, enquadrando o tema no impacto económico imediato e na pressão sindical nas semanas seguintes.
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