Porto avança com proposta de hub tecnológico de 900 milhões de euros para captar fundos europeus
Portugal prepara a candidatura do PITCH, uma plataforma de inovação em Porto apoiada pelo Ministério da Economia, para disputar financiamento europeu no ciclo negocial de 2027. O projeto continua em fase de proposta e estudo preliminar, mas é apresentado como uma aposta para reter talento qualificado e aproximar universidades, empresas e startups.
Destaques
- Porto apresenta candidatura ao fundo europeu de competitividade para financiar o PITCH, hub tecnológico de 900 milhões de euros, com decisão prevista para 2027.
- O investimento será faseado: 150 milhões de euros para o núcleo central, 250 milhões para zona empresarial multinacional e 500 milhões para expansão de startups.
- O PITCH visa transformar investigação em atividade económica, criar empregos tecnológicos e diversificar a economia do Porto, mas enfrenta riscos regulatórios e concorrência europeia.
Candidatura mira fundos da UE
Como noticiou o ThePortugalPost, o ministro da Economia, Castro Almeida, confirmou o apoio do Governo à submissão do PITCH nas negociações europeias de financiamento previstas para 2027. A iniciativa junta a Universidade do Porto, a Câmara Municipal do Porto e o Instituto Politécnico do Porto, que deverá passar a designar-se Universidade Técnica do Porto.O memorando de entendimento já foi assinado, enquanto decorre um estudo preliminar para definir o enquadramento técnico da proposta. Apesar do respaldo político, o financiamento ainda não está aprovado e o avanço do projeto depende da capacidade de competir por verbas do futuro fundo europeu de competitividade.
O plano prevê um investimento total de 900 milhões de euros em três fases. A primeira reserva 150 milhões de euros para um hub central com laboratórios, centros de prototipagem, auditórios e escritórios colaborativos; a segunda aponta 250 milhões de euros para uma zona empresarial orientada para multinacionais e centros de inovação; e a terceira contempla 500 milhões de euros para expansão do ecossistema de startups, com incubadoras e parques empresariais dedicados.
Impacto esperado em talento e economia
O objetivo central do PITCH é transformar investigação académica em atividade económica, criando empregos tecnológicos mais bem pagos e reduzindo a saída de licenciados portugueses para outros mercados europeus. Para a região do Grande Porto, a proposta promete mais laboratórios privados de I&D, maior acesso de pequenas empresas a infraestruturas de prototipagem e percursos mais diretos entre formação superior e emprego.Se obtiver aprovação após as negociações de 2027, a construção do núcleo central poderá arrancar em 2028 e a operação plena é apontada para 2029, com desenvolvimento faseado no início da década de 2030. Até lá, o consórcio tem de concluir estudos técnicos, refinar a candidatura e preparar o planeamento dos locais, num processo que também deverá exigir cofinanciamento nacional e investimento privado.
O Governo enquadra a proposta como resposta à disputa europeia por recursos destinados à transição digital, inovação industrial, saúde e resiliência. Embora o projeto possa ajudar Porto a diversificar uma economia ainda associada ao turismo, aos têxteis e ao vinho do Porto, persistem riscos de execução, incluindo atrasos regulatórios, concorrência de outras cidades europeias e a incerteza sobre a atração de parceiros empresariais de primeira linha.
Na nossa publicação anterior sobre a posição de Portugal nas negociações do Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, explicámos que o país se juntou aos “Amigos da Coesão” para rejeitar cortes nas verbas da coesão e da agricultura. Também sublinhámos que, embora exista um reforço adicional estimado em cerca de 1,6 mil milhões de euros no envelope nacional, o resultado final depende do equilíbrio global do orçamento europeu e de novas fontes de receita.
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