Liga Portugal aprova modelo de repartição das receitas audiovisuais para 2028/29

Liga Portugal aprova modelo de repartição das receitas audiovisuais para 2028/29
Novo modelo receitas Liga

A centralização dos direitos audiovisuais do futebol profissional português avança com a aprovação da fórmula de distribuição das futuras receitas entre as sociedades desportivas. A decisão, tomada numa assembleia extraordinária no Porto com cerca de 80% dos votos, define o enquadramento financeiro que deverá entrar em vigor a partir da época 2028/29.

Destaques

  • Liga Portugal aprovou modelo de repartição das receitas audiovisuais para 2028/29, com 57,5% ligado ao desempenho desportivo dos clubes.
  • A proposta define ainda 20% das receitas divididas igualmente, 17,5% baseadas em assistências e audiências, cerca de 3% em condições técnicas e 2% em qualidade dos relvados.
  • O modelo aprovado venceu pela maioria qualificada de cerca de 80%, face à alternativa do Nacional que propunha metade dos cerca de 250 milhões de euros/ano distribuídos igualmente.

Critérios de distribuição e calendário

Como noticiou o Jornal de Negócios, as sociedades desportivas dos campeonatos profissionais aprovaram esta segunda-feira a proposta apresentada pela Liga Centralização para repartir as futuras receitas da comercialização dos direitos audiovisuais do futebol português. A votação decorre em Assembleia Geral Extraordinária da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, na sede da entidade, no Porto, e fecha uma das etapas centrais do processo de centralização.

No principal escalão, o modelo aprovado combina cinco critérios de repartição. A maior parcela, equivalente a 57,5%, fica ligada ao desempenho desportivo, incluindo a posição final no campeonato, o histórico recente de classificações e a contribuição para o ranking europeu da UEFA.

Outros 20% são distribuídos em partes iguais entre os clubes. Os restantes montantes têm em conta as assistências médias e as audiências televisivas, com 17,5%, as condições oferecidas para as transmissões, com cerca de 3%, e a qualidade dos relvados, da iluminação e das condições de trabalho para a comunicação social, com 2%.

Equilíbrio entre mérito e distribuição no setor

O voto acontece num contexto de divergências entre clubes sobre a fórmula de repartição. O principal modelo alternativo é apresentado pelo Nacional, que defende uma solução mais igualitária, propondo que cerca de metade do valor global a negociar, estimado em aproximadamente 250 milhões de euros por ano, seja dividido em partes iguais pelos participantes.

Antes da votação principal, o recurso do Nacional para que as duas propostas fossem votadas em simultâneo é rejeitado, sem apoio formal das sociedades desportivas presentes. Na reunião não marcam presença os presidentes de Benfica, FC Porto e Sporting, enquanto entre os dirigentes presentes estão António Salvador, Rui Alves, Carlos André Gomes, Paulo Lopo, Miguel Ribeiro e José Miguel Albuquerque.

A aprovação da chave de repartição surge cerca de um mês depois de a assembleia geral da LPFP ter aprovado o modelo de comercialização dos direitos audiovisuais para o mercado doméstico. Com a maioria qualificada de cerca de 80%, a Liga Portugal reforça o consenso em torno do novo enquadramento para as receitas televisivas do futebol profissional.

Na nossa publicação anterior sobre a votação na Liga Portugal para a chave de distribuição das receitas da venda centralizada dos direitos televisivos, explicámos que a decisão iria definir por quatro épocas, a partir de 2028/29, como será repartido o valor entre os clubes. O texto destacava o confronto entre a proposta da LPFP e a alternativa do CD Nacional, que defendia aumentar significativamente a componente distribuída em partes iguais, com impacto direto na capacidade de investimento e na competitividade do campeonato.

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