CD Nacional contesta modelo de partilha das receitas televisivas na Liga portuguesa

CD Nacional contesta modelo de partilha das receitas televisivas na Liga portuguesa
Nacional desafia receita TV

A votação de segunda-feira na Liga Portugal pode definir durante quatro épocas, a partir de 2028/29, como será distribuída a receita da venda centralizada dos direitos televisivos. Em causa está um confronto entre a proposta da LPFP e uma alternativa do CD Nacional, que pretende aumentar de 15% para 36% a parcela repartida de forma igual entre os clubes.

Destaques

  • CD Nacional propõe aumentar de 15% para 36% a fatia de receitas televisivas distribuída igualmente entre clubes, desafiando o modelo atual da LPFP.
  • A assembleia geral da LPFP vota segunda-feira, no Porto, a chave de distribuição centralizada que vigorará durante quatro temporadas a partir de 2028/29.
  • A decisão sobre o modelo de partilha terá impacto direto na capacidade dos clubes de investir em jogadores, infraestruturas e operações correntes, segundo os envolvidos.

Votação decide modelo para o ciclo 2028/29

ThePortugalPost noticia que o CD Nacional da Madeira desafia a fórmula da Liga Portuguesa de Futebol Profissional para repartir as receitas de transmissão, argumentando que o modelo atual mantém a vantagem financeira dos maiores clubes e fica aquém do espírito do Decreto-Lei 22-B/2021.

Rui Alves, presidente do CD Nacional, defende que a proposta do clube, apresentada numa conferência de imprensa no Estádio da Madeira, em Funchal, reforça o equilíbrio competitivo ao elevar para 36% a fatia distribuída em partes iguais por todos os participantes. O modelo da LPFP reserva 15% para essa componente, num desenho que tem encontrado resistência entre emblemas de menor dimensão.

A assembleia geral está marcada para as 10:00 de segunda-feira, na sede da LPFP, no Porto. O único ponto da ordem de trabalhos é a aprovação da chave de distribuição preparada pela Liga Centralização, entidade criada para gerir o pacote centralizado de direitos, num momento decisivo porque o resultado ficará fechado para quatro temporadas consecutivas.

Impacto financeiro e enquadramento legal

Para os clubes portugueses, a fórmula escolhida terá efeitos na capacidade de contratar jogadores, investir em infraestruturas e sustentar operações correntes. O mecanismo de venda centralizada foi ratificado em 17 de abril com apoio alargado, mas a chave de repartição ficou por resolver, adiando para agora o confronto sobre quem beneficia mais com o novo sistema.

O Decreto-Lei 22-B/2021 determina a centralização dos direitos televisivos a partir de 2028/29 e estabelece princípios de equilíbrio, sustentabilidade e competitividade, sem impor uma fórmula concreta. O CD Nacional sustenta que a proposta da LPFP não responde de forma suficiente a esses objetivos, enquanto a liga entende que o seu plano cumpre o mandato legal.

Rui Alves pediu ainda a António Saraiva, presidente da mesa da assembleia geral da LPFP, que conduza os trabalhos com independência e permita voto secreto simultâneo sobre as duas propostas. O clube madeirense sublinha também que equipas da Madeira e dos Açores suportam custos adicionais de deslocação e infraestruturas, uma desvantagem geográfica que considera relevante no debate sobre a distribuição das futuras receitas.

Na nossa publicação anterior sobre a negociação dos fundos europeus para 2028-2034, explicámos que o Governo rejeitou a estimativa de um corte de 700 milhões de euros no Alentejo e sublinhou que ainda não existem valores fechados para a distribuição regional. O texto detalhou como a reclassificação estatística e a aproximação ao limiar de 75% do PIB per capita da UE podem reduzir taxas de cofinanciamento e pressionar investimentos locais, num quadro em que a dotação global de coesão para Portugal poderá encolher.

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