Energia eólica em Portugal abranda e pressiona metas climáticas e investimento

Energia eólica em Portugal abranda e pressiona metas climáticas e investimento
Eólica em queda preocupa

A energia eólica cobre pouco mais de um quarto do consumo elétrico em Portugal continental em 2025, mas a expansão do setor perde ritmo numa fase decisiva para os objetivos de descarbonização. O abrandamento aumenta o risco para as metas de 2030, mantém a exposição a maior volatilidade nos preços da eletricidade e pode desviar capital para mercados vizinhos como Espanha.

Destaques

  • A desaceleração da energia eólica em Portugal mantém a dependência do gás importado e expõe consumidores à volatilidade dos preços, especialmente no verão.
  • O primeiro leilão offshore competitivo para 2 GW permanece adiado desde 2023, com a APREN a prever operação das primeiras plataformas apenas em 2031 ou 2032.
  • No primeiro trimestre de 2026, as renováveis forneceram 78,5% do consumo do continente, mas o atraso da eólica torna urgentes decisões sobre repowering e novos projetos.

Impacto nos consumidores e corrida ao offshore

Para famílias e empresas, a travagem da eólica prolonga a dependência de gás importado e de eletricidade de mercado, mantendo a exposição à volatilidade de preços, sobretudo no verão, quando a produção do vento tende a abrandar. O setor alerta também para uma rede de transporte subdimensionada e envelhecida, o que pode aumentar restrições à injeção de renováveis e limitar ganhos de eficiência do sistema.

O abrandamento tem igualmente efeitos no emprego e no rendimento local. Cada gigawatt adicional de capacidade eólica suporta centenas de postos de trabalho na construção e manutenção, com impacto particular em distritos do interior como Viseu, Coimbra, Vila Real e Guarda, onde se concentra grande parte dos 6 GW instalados no país.

No mar, a ambição portuguesa continua dependente de um calendário regulatório que não avança ao ritmo esperado. O Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore, aprovado em fevereiro de 2025, reserva áreas ao largo de Viana do Castelo, Leixões, Figueira da Foz e Sines, totalizando até 9,4 GW de potencial, mas o primeiro leilão competitivo para 2 GW continua adiado, apesar de ter sido inicialmente apontado para 2023.

Mesmo que o processo arranque sem nova demora, a APREN estima que as primeiras plataformas offshore só entrem em operação em 2031 ou 2032, já depois do prazo do PNEC 2030. Hoje, o único ativo offshore em funcionamento é o WindFloat Atlantic, com 30 MW ao largo de Viana do Castelo; em janeiro de 2025, a Tokyo Gas compra uma participação de 21,2% no projeto, sinalizando interesse externo condicionado por estabilidade regulatória.

A hibridização surge como resposta económica à queda dos preços da eletricidade nas horas de maior produção solar. Ao combinar vento, solar e armazenamento na mesma ligação à rede, os promotores procuram distribuir a produção ao longo do dia, captar preços mais elevados fora das horas centrais e melhorar a rentabilidade dos projetos.

No primeiro trimestre de 2026, as renováveis no seu conjunto asseguram 78,5% do consumo do continente, colocando Portugal entre os países europeus com maior penetração de eletricidade limpa. A energia solar mantém forte crescimento, mas a eólica fica para trás, tornando decisivas as escolhas sobre repowering, novos parques onshore e o lançamento efetivo dos leilões offshore para preservar investimento e cumprir as metas climáticas.

Na nossa publicação, já analisámos os atrasos no primeiro leilão de eólica offshore flutuante em Portugal e o aviso da APREN de que a indefinição de regras e de um calendário vinculativo pode desviar capital e fornecedores para Espanha. O texto explicou ainda que, mesmo com aceleração imediata, os primeiros projetos tenderiam a arrancar apenas depois de 2030, e destacou os entraves de viabilidade económica e a necessidade de mecanismos de apoio e financiamento para manter a cadeia de valor no país.

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