PSD afasta risco político após chumbo da lei laboral em Portugal
Após o chumbo parlamentar da legislação laboral do Governo, a direção do PSD defende que o episódio não altera a estabilidade política nem o cumprimento da legislatura em Portugal. O partido sustenta que o executivo mantém a sua estratégia económica e terá de procurar outros instrumentos para reforçar a competitividade e apoiar melhores salários.
Destaques
- O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, descarta instabilidade política após a rejeição da proposta laboral do Governo no Parlamento.
- Hugo Soares reconhece impacto negativo da votação, mas afirma que o Governo buscará novos instrumentos para impulsionar competitividade e salários.
- O ministro das Infraestruturas critica o Chega pela postura na votação e destaca negociações do Governo com UGT, PS e Chega durante um ano.
Reação política ao chumbo da lei laboral
Como noticiou o Jornal de Negócios, o secretário-geral do PSD, Hugo Soares, rejeita qualquer cenário de instabilidade política depois de a proposta laboral do Governo ter sido rejeitada na Assembleia da República.À entrada para o 43.º congresso do PSD, que decorre hoje e domingo no Velódromo de Sangalhos, no distrito de Aveiro, o dirigente afirma que não existe crise em Portugal e defende que há condições para a legislatura se cumprir. Hugo Soares acrescenta que um Governo minoritário nem sempre consegue aprovar no Parlamento aquilo que pretende, enquadrando o resultado da votação na atual conjuntura política.
Perante as dúvidas sobre a capacidade negocial do executivo com os dois maiores partidos da oposição, Chega e PS, o secretário-geral social-democrata insiste que o PSD negoceia com todos. Na sua leitura, cenários de instabilidade a vários meses ou anos servem sobretudo para alimentar o comentário político.
Impacto económico e leitura do Governo
Hugo Soares considera que a votação de quinta-feira foi um dia negativo para o país, mas sustenta que isso não muda o rumo do Governo. Segundo o dirigente, o executivo terá de encontrar outros instrumentos para aumentar a competitividade da economia, com o objetivo de criar riqueza e pagar melhores salários.Também à entrada para o congresso, o ministro das Infraestruturas e Planeamento critica o Chega pela forma como atuou na votação da Lei Laboral, classificando essa posição como pouco séria na defesa das suas causas. O governante afirma que o Governo manteve durante um ano abertura negocial total com a UGT, com o PS e, na fase final, com o Chega.
Numa nota distinta da de Hugo Soares sobre as sondagens recentes, o ministro das Infraestruturas e Habitação defende que esses dados funcionam como instrumento de análise política. Na sua perspetiva, governos e partidos devem usá-los para avaliar, em cada momento, o sentimento dos portugueses.
Na nossa publicação, acompanhámos o chumbo no Parlamento da proposta do Governo para rever a lei laboral, depois de não ter sido alcançado um entendimento com o Chega. Explicámos que as exigências do partido sobre pensões — como a descida imediata da idade da reforma e limites a pensões elevadas — foram determinantes para travar o acordo, adiando alterações no mercado de trabalho. O episódio também evidenciou as dificuldades do executivo em construir maiorias para reformas com impacto na despesa social.
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