Santander Portugal acelera uso de IA para gerar mais de 1.000 milhões de euros até 2028
O Santander Portugal está a ampliar o uso de inteligência artificial nas suas operações, com a meta de gerar mais de 1.000 milhões de euros em valor de negócio até 2028. A expansão inclui a disponibilização de ferramentas de IA aos 185.000 trabalhadores do grupo em todo o mundo e aponta para mudanças no atendimento ao cliente, na prevenção de fraude e na organização do trabalho bancário.
Destaques
- Santander Portugal prevê gerar mais de 1.000 milhões de euros com IA até 2028, ultrapassando 200 milhões de euros até ao final de 2026, após 35 milhões no primeiro trimestre.
- O acesso a ferramentas de IA foi expandido para os 185.000 colaboradores do grupo, com o objetivo de até junho de 2026 ter 40% do código produzido suportado por IA e 17.000 programadores envolvidos.
- Adoção de IA acelera automação para clientes, aumenta a vigilância de reguladores e sindicatos, e sujeita bancos às novas exigências do AI Act da UE aprovado em março de 2024.
Expansão operacional e metas até 2028
Segundo o ThePortugalPost, o banco prevê ultrapassar 200 milhões de euros em valor gerado por inteligência artificial até ao final de 2026, depois de já ter registado 35 milhões de euros no primeiro trimestre. A instituição está também a alargar nesta semana o acesso às ferramentas de IA a todos os 185.000 trabalhadores do grupo, acima dos 40.000 que anteriormente já utilizavam esses sistemas.Entre as aplicações em curso, o Santander quer que sistemas automáticos de voz tratem 40% das chamadas relacionadas com cartões, com um objetivo anual de 240.000 contactos resolvidos sem intervenção humana. No Openbank, modelos de IA processam 100.000 alertas anuais de branqueamento de capitais e reduzem investigações de horas para minutos.
Ricardo Martín Manjón, Chief Data & AI Officer do Santander, afirma que a estratégia passa por integrar a IA no trabalho diário das equipas, e não apenas por substituir tarefas. O banco lança formação obrigatória em IA para todos os trabalhadores em 2026 e indica que, em junho de 2026, 40% do código produzido no grupo já é escrito com apoio de IA, envolvendo 17.000 programadores e mais de 280 agentes automatizados em processos como crédito, fraude e onboarding de clientes.
Impacto em clientes, emprego e supervisão em Portugal
Para os clientes em Portugal, a adoção destas ferramentas traduz-se em mais atendimento automatizado em canais telefónicos, respostas potencialmente mais rápidas em litígios com cartões e serviços digitais mais sofisticados. O banco está a adaptar a tecnologia aos mercados espanhol e português, com agentes treinados para compreender dialectos regionais e terminologia bancária usada em Portugal.No mercado de trabalho, a expansão da automação mantém sob vigilância sindicatos e reguladores, devido ao possível efeito na distribuição de funções e nos níveis de emprego no setor financeiro. Ao mesmo tempo, a transformação tende a aumentar a procura por competências ligadas à literacia em IA, cibersegurança e resolução de problemas complexos.
O enquadramento regulatório também ganha peso à medida que os bancos usam IA em decisões sensíveis. O Banco Central Europeu alerta os bancos da zona euro para riscos de ciberataques assistidos por IA, enquanto o Banco de Portugal defende estruturas mais fortes de governação, controlo e responsabilização humana; ao abrigo do AI Act da União Europeia, aprovado em março de 2024, estas exigências passam a integrar a supervisão das instituições financeiras.
A nossa publicação analisou o atraso de Portugal na adoção empresarial de inteligência artificial face às metas europeias para 2030, com apenas 15% das empresas a usar IA e um fosso particularmente visível nas PME. O artigo destacou a Agenda Nacional para a Inteligência Artificial 2026-2030, com mais de 400 milhões de euros, e os principais apoios (subvenções e incentivos fiscais) para acelerar investimento, formação e cumprimento do AI Act.
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