Sentimento económico na UE sobe em junho, enquanto expectativas de emprego recuam

Sentimento económico na UE sobe em junho, enquanto expectativas de emprego recuam
Confiança sobe na UE

O sentimento económico melhora de forma expressiva em junho na União Europeia e na Zona Euro, impulsionado por maior confiança de consumidores e empresas em vários setores. O avanço ocorre num mês marcado pelo acordo de paz no Irão, cujo impacto já é parcialmente refletido nos inquéritos realizados entre 1 e 22 de junho, e Portugal acompanha a subida com um ganho de 1,3 pontos.

Destaques

  • O indicador de sentimento económico subiu 1,3 pontos em junho para 95 na Zona Euro e 95,1 na UE, com confiança a reforçar-se em consumo, indústria e serviços.
  • O indicador de expectativas de emprego caiu 2,2 pontos na Zona Euro para 92,2 e 2,3 pontos na UE para 92,9, devido a revisões em baixa nos planos de contratação.
  • O indicador de incerteza económica desceu 1,2 pontos pelo segundo mês consecutivo, refletindo menor incerteza empresarial e do consumidor após o cessar-fogo no Irão.

Melhoria do sentimento em consumo, indústria e serviços

Segundo dados divulgados pela Comissão Europeia, o indicador de sentimento económico aumenta 1,3 pontos tanto na Zona Euro, para 95, como na UE, para 95,1, embora permaneça abaixo da média histórica de 100.

A recuperação é sustentada por uma maior confiança dos consumidores e das empresas em quase todos os setores, incluindo comércio a retalho, indústria transformadora e serviços. A construção e as obras públicas são a exceção, com uma descida do indicador de confiança, pressionada por expectativas de emprego mais fracas e por avaliações ainda pessimistas sobre a carteira de encomendas.

No comércio, a maior recuperação entre setores, de 1,2 pontos, reflete melhores avaliações dos retalhistas sobre a situação financeira passada e o volume de stocks. Na indústria, a confiança sobe 0,6 pontos com base numa avaliação mais favorável dos stocks de produtos acabados e em expectativas de produção mais fortes, enquanto nos serviços o indicador avança 0,5 pontos, apoiado por perspetivas mais positivas para a procura.

Entre os consumidores, o indicador de confiança recupera fortemente 1,2 pontos, após as quedas registadas entre março e abril. As famílias mostram mais otimismo quanto à situação económica futura do país e à situação financeira futura do agregado, enquanto as avaliações sobre a situação financeira passada e as intenções de realizar grandes compras também melhoram.

Entre as maiores economias da UE, os Países Baixos registam a subida mais forte, com 4,1 pontos, seguidos pela Alemanha, com 1,7, e pela Itália, com 1,3. Em Espanha, o avanço é mais moderado, de 0,7 pontos, enquanto em França, com menos 0,2, e na Polónia, com mais 0,3, o indicador permanece praticamente estável; em Portugal, observa-se uma subida de 1,3 pontos.

Emprego e incerteza mostram sinais mistos

Apesar da melhoria do sentimento global, o indicador de expectativas de emprego desce acentuadamente em junho. O EEI recua 2,2 pontos na Zona Euro, para 92,2, e 2,3 pontos na UE, para 92,9, mantendo-se também abaixo da média histórica de 100.

A descida resulta de revisões em baixa dos planos de contratação no comércio, serviços e construção. A indústria transformadora é o único setor em que aumentam as intenções de contratar nos próximos meses.

Na frente dos preços, as expectativas dos empresários continuam a cair, embora permaneçam acima das médias de longo prazo em todos os setores. Também os consumidores passam a ter uma perceção menos intensa da subida dos preços nos últimos 12 meses e reduzem as expectativas para os 12 meses seguintes, ainda que esses níveis continuem elevados em termos históricos.

Ao mesmo tempo, o indicador de incerteza económica recua 1,2 pontos pelo segundo mês consecutivo, após o cessar-fogo no Irão. Segundo Bruxelas, a incerteza dos empresários diminui na construção, indústria e serviços, mantém-se largamente estável no comércio, e os consumidores mostram menor incerteza quanto à sua situação financeira futura.

Na nossa publicação anterior sobre a subida da confiança de consumidores e empresas em Portugal em junho, destacámos que o alívio das tensões no Médio Oriente após o acordo de paz entre os EUA e o Irão ajudou a reduzir a incerteza e a sinalizar uma inversão do sentimento. Sublinhámos ainda que parte do impacto desse desanuviamento pode surgir de forma mais clara nos próximos inquéritos, depois de meses em que a guerra pressionou a inflação, sobretudo via energia.

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