Portugal mantém disparidade salarial de género, com mulheres a receberem menos 14,5%
A diferença salarial entre homens e mulheres em Portugal continua a encolher, mas permanece relevante no mercado de trabalho. Em 2024, as trabalhadoras por conta de outrem a tempo completo recebem em média menos 243,9 euros por mês do que os homens no mesmo tipo de funções.
Destaques
- Em 2024, as mulheres em Portugal recebem em média 1.439,9 euros mensais, menos 14,5% do que os homens (1.683,8 euros).
- A disparidade salarial de género diminuiu de 18,2% em 2017 para 14,5% em 2024, mas o ritmo de convergência permanece lento.
- As maiores diferenças remuneratórias concentram-se nas atividades artísticas, saúde e apoio social, impactadas por penalizações associadas às responsabilidades parentais femininas.
Barómetro da DGCP mostra evolução lenta
Como noticiou o Jornal de Negócios, citando o Jornal de Notícias, o mais recente barómetro da Direção-Geral de Coordenação e Planeamento indica que a remuneração média mensal ilíquida das mulheres em Portugal situa-se em 1.439,9 euros em 2024, abaixo dos 1.683,8 euros registados entre os homens.O diferencial salarial é de 243,9 euros, o que significa que as mulheres ganham em média menos 14,5% do que os homens. O barómetro indica ainda que esta diferença tem vindo a diminuir desde 2017, quando a disparidade era de 18,2%.
Nesse ano inicial da série da DGCP, as mulheres recebiam em média 1.009,3 euros mensais, enquanto os homens auferiam 1.233,6 euros. A trajetória aponta para uma redução do fosso salarial, embora o ritmo de convergência permaneça lento.
Setores mais afetados e impacto no emprego
As maiores diferenças remuneratórias concentram-se nas atividades artísticas e nas áreas ligadas à saúde e ao apoio social, segundo os dados citados. Estes segmentos continuam, assim, entre os mais pressionados pela desigualdade salarial de género.Parte desta diferença é explicada pelo facto de as mulheres continuarem a ser mais penalizadas pelas responsabilidades com os filhos, fator que pesa nos salários e limita a progressão na carreira. O retrato reforça a persistência de constrangimentos estruturais no mercado laboral português, apesar da melhoria gradual dos indicadores.
A automatização do pagamento do abono de família em Portugal foi o foco do nosso artigo anterior, explicando a expansão do sistema a famílias monoparentais, residentes estrangeiros e pais separados até ao final de 2025. A medida pretende reduzir entraves burocráticos e acelerar o acesso ao apoio, mantendo os critérios de elegibilidade e prevendo uma atualização das prestações em 2026.
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