Almada agrava racionamento de água perante perdas na rede e falhas de abastecimento

Almada agrava racionamento de água perante perdas na rede e falhas de abastecimento
Almada intensifica racionamento hídrico

A pressão sobre o abastecimento de água em Almada aumenta num contexto de perdas na rede superiores a 35% e de consumo a ultrapassar a capacidade diária de captação em furos existentes. Os cortes e quebras de pressão atingem vários pontos do concelho a sul de Lisboa, enquanto autoridades locais e nacionais avançam com medidas de emergência e avaliam soluções de curto prazo.

Destaques

  • Almada implementa racionamento noturno da água entre meia-noite e 6h para recuperar reservatórios, após falhas sucessivas e perdas superiores a 35% na rede.
  • O racionamento causa instabilidade prolongada a residentes e empresas de zonas como Costa da Caparica, com os SMAS a admitir compensações para operadores lesados.
  • A autarquia acelera licenças para novos furos, enquanto entidades nacionais reforçam pressão por reabilitação da rede e combate à água não faturada no âmbito do Portugal 2030.

Racionamento noturno e resposta imediata

Como noticiou o The Portugal Post, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada e a câmara municipal ativam um gabinete de crise e aplicam um protocolo de racionamento para recuperar os níveis dos reservatórios. A pressão da água fica reduzida em todo o concelho entre a meia-noite e as 6h, numa resposta a falhas sucessivas de abastecimento e à degradação estrutural da rede.

Segundo a descrição do problema, a rede de distribuição enfrenta simultaneamente envelhecimento de infraestruturas, temperaturas elevadas desde maio e aumento sazonal da procura. Os SMAS admitem que o consumo já supera a capacidade diária de extração dos furos existentes, enquanto avarias em zonas como Sobreda e Monte de Caparica deixam bairros sem água durante horas.

O Ministério do Ambiente identifica Almada como o município com pior desempenho do país em perdas de água, com fugas acima de 35%, nível que a ERSAR classifica como insatisfatório. Os subsistemas de Pragal e Brielas surgem entre os mais afetados, apesar de o município já ter obtido financiamento europeu para intervenções como instalação de válvulas redutoras de pressão, criação de zonas de monitorização e substituição de condutas antigas.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirma em Évora que a responsabilidade pela manutenção da infraestrutura cabe ao município. A Agência Portuguesa do Ambiente envia o seu presidente a Almada para avaliar o apoio técnico possível, ao mesmo tempo que a autarquia acelera licenças para novos furos, apontados como a via mais rápida para reforçar a oferta.

Um novo furo entra recentemente em operação e um segundo é esperado até ao fim do mês. Ainda assim, a direção dos SMAS reconhece que uma melhoria relevante, sobretudo ao nível de reparações estruturais, só deverá ser visível no próximo ano.

Impacto económico e pressão regulatória

O racionamento por tempo indeterminado prolonga a instabilidade do serviço para residentes e empresas, sobretudo em zonas como Costa da Caparica, Sobreda, Laranjeiro e Feijó. Atividades domésticas e operações de cafés, restaurantes e lavandarias ficam mais expostas a perturbações, e os SMAS admitem compensar operadores comerciais que consigam documentar prejuízos.

A autarquia suspende usos não essenciais, incluindo rega de jardins públicos e lavagem de ruas, e pede às famílias que evitem regar jardins privados ou encher piscinas. Em paralelo, equipas de inspeção investigam consumos irregulares em Charneca da Caparica, Sobreda e Costa da Caparica, depois de ERSAR e SMAS detetarem picos de utilização que não coincidem com consumos faturados, indício de ligações ilegais ou manipulação de contadores.

A crise também intensifica a pressão política sobre o executivo municipal liderado pelos socialistas. Uma moção simbólica de censura apresentada pelo PSD não tem efeito vinculativo, mas reflete o agravamento do descontentamento público, visível também numa petição com mais de 4.000 assinaturas a exigir ação urgente.

No plano setorial, o caso de Almada reforça o foco nacional na redução de água não faturada e na reabilitação de redes urbanas. No âmbito do Portugal 2030, do Plano de Recuperação e Resiliência e do PENSAARP 2030, os municípios podem aceder a apoios para renovação de condutas, tecnologias de deteção de fugas e ganhos de eficiência, num quadro em que o Governo e a Águas de Portugal disponibilizam apoio técnico, mas deixam a solução estrutural de longo prazo nas mãos da liderança municipal.

Na nossa publicação anterior sobre o consumo elétrico recorde durante a onda de calor de julho, explicámos como as temperaturas acima dos 40ºC e o uso intensivo de ar condicionado elevaram a procura e aumentaram o risco de cortes localizados em zonas com equipamentos de distribuição mais antigos. Também destacámos que, apesar do peso das renováveis, as autoridades aceleram investimentos em monitorização, armazenamento e interligações para reforçar a segurança do abastecimento e reduzir vulnerabilidades em horas de ponta.

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