Portugal reforça atração de investimento no luxo em contraciclo
Portugal está a captar novos investidores e marcas internacionais no segmento do luxo, numa altura em que o mercado global do setor tende a estabilizar em 2026. O movimento abrange imobiliário, moda e relojoaria, e destaca uma mudança no perfil da procura e nas condições que o país oferece a clientes e operadores.
Destaques
- Corcoran Atlantic entrou em Portugal em janeiro de 2026, formando em seis meses equipa de 20–25 pessoas e pipeline de vendas de €800 milhões, superando a meta inicial.
- O mercado global de bens de luxo pessoal deve crescer entre 2% e 4% em 2026, enquanto experiências de luxo crescem 1,5 vezes mais rápido, segundo Bain & Company.
- Participantes do Negócios do Luxo apontam limitações no aeroporto de Lisboa, fiscalidade menos competitiva que Espanha e escassez de talento como entraves à expansão do setor em Portugal.
Debate do setor aponta nova vaga de investimento
Como noticiou o Jornal de Negócios, a segunda edição da iniciativa Negócios do Luxo arrancou esta quinta-feira no JNCQUOI Club, em Lisboa, reunindo representantes do imobiliário, da moda e da relojoaria e joalharia para discutir o posicionamento de Portugal no novo mercado do luxo.Segundo a Bain & Company, em parceria com a Altagamma, o mercado global de bens de luxo pessoal deverá crescer entre 2% e 4% em 2026, depois de dois anos de crescimento quase nulo. A mesma consultora indica que a procura por experiências de luxo cresce 1,5 vezes mais depressa do que a procura por bens tangíveis, tendência que enquadra a evolução observada em Portugal.
Hugo Santos Ferreira, CEO da Corcoran Atlantic e presidente da APPII, identificou três vagas de investimento estrangeiro no país, primeiro a chinesa entre 2015 e 2019, depois a europeia, sobretudo francesa, e agora uma fase dominada por investidores norte-americanos e brasileiros. No primeiro semestre de 2026, somam-se ainda investidores israelitas, libaneses, sauditas, do Qatar e venezuelanos, num movimento associado à fuga de conflitos e à procura de estabilidade social.
A entrada da norte-americana Corcoran em Portugal, em janeiro de 2026, é apresentada como exemplo concreto dessa dinâmica. A empresa atua nos segmentos de topo em Lisboa, Estoril, Porto, Algarve e Madeira e, em seis meses, formou uma equipa de 20 a 25 pessoas e aproximou-se de 800 milhões de euros em pipeline de vendas, acima da meta inicial de 500 milhões.
Moda, relojoaria e desafios ao crescimento
Na moda e no lifestyle, Maria Pimentel, fashion director da Fashion Clinic, defendeu que o luxo em Portugal evolui de experiências isoladas para uma lógica de comunidade, pertença e construção de universos de marca. Essa transformação acompanha a valorização internacional de conceitos como o world building e reforça a aposta em modelos de consumo mais imersivos.Na relojoaria e joalharia, David Kolinski, diretor de Desenvolvimento de Negócio da Tempus, disse que os clientes com menos de 35 anos já representam uma fatia maioritária. O executivo associou essa procura ao interesse de profissionais ligados à tecnologia por produtos mecânicos e artesanais, enquanto as marcas respondem com uma maior ênfase na herança e na reedição de modelos icónicos.
O painel apontou três entraves principais à expansão do setor em Portugal, a limitação do aeroporto de Lisboa, a perda de competitividade fiscal face a Espanha e a escassez de recursos humanos qualificados. Os participantes defenderam mais formação para os serviços e alertaram para a crescente pressão sobre o recrutamento na Avenida da Liberdade, à medida que mais grupos internacionais abrem lojas no mercado português.
A iniciativa Negócios do Luxo prossegue agora para uma Grande Conferência, cuja data e local ainda não estão definidos.
Na nossa publicação anterior sobre a segunda edição da iniciativa Negócios do Luxo em Lisboa, destacámos o arranque do fórum no JNCQUOI Club e o debate sobre como Portugal se posiciona no novo mercado do luxo. O texto sublinhava ainda o caráter transversal do evento — com foco em imobiliário, moda, consumo e investimento — e a ligação a uma Grande Conferência prevista para setembro.
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