Portugal intensifica alerta para fraude bancária por telefone

Portugal intensifica alerta para fraude bancária por telefone
Fraudes bancárias aumentam

As tentativas de fraude bancária por telefone estão a ganhar escala em Portugal, com as autoridades a sinalizarem uma pressão crescente sobre clientes e contas de poupança. O registo de 24 ocorrências num só dia, a 7 de julho, reforça os avisos emitidos no primeiro semestre de 2026 por forças de segurança e entidades financeiras.

Destaques

  • PSP registou 24 tentativas de fraude bancária por telefone num só dia este mês, indicando aumento exponencial destes esquemas em Portugal.
  • Bancos como Millennium BCP, Caixa Geral de Depósitos, Santander, Banco CTT e Montepio emitiram alertas sobre usurpação de identidade e táticas sofisticadas, incluindo falsificação de identificação de chamada e uso de software de acesso remoto.
  • GNR reportou 44 burlas de “falso banqueiro” e cerca de 300 de “falso funcionário” no 1º trimestre de 2026, com operações cada vez mais difíceis de detetar devido ao uso de VoIP e inteligência artificial.

Escalada das burlas e métodos usados

Como noticiou o ThePortugalPost.com, a PSP registou 24 tentativas distintas de fraude bancária por telefone num único dia deste mês, num sinal do que as autoridades classificam como um aumento exponencial deste tipo de esquema em Portugal.

O padrão descrito pelas autoridades começa, em muitos casos, com uma SMS ou um email que alega atividade irregular na conta da vítima, como uma transferência suspeita, uma tentativa de acesso não autorizada ou um bloqueio de pagamento. As mensagens aparentam vir de instituições conhecidas, incluindo Millennium BCP, Caixa Geral de Depósitos, Santander, Banco CTT e Montepio, bancos que já emitiram alertas públicos este ano sobre esquemas de usurpação de identidade.

Noutras situações, o contacto é feito por chamada direta. Os burlões recorrem a técnicas de falsificação de identificação de chamada para que o ecrã do telemóvel mostre um número legítimo ou até o nome do banco, aumentando a credibilidade do contacto e reduzindo a desconfiança inicial da vítima.

Depois de estabelecido o contacto, o interlocutor adota um discurso profissional, usa linguagem técnica e simula procedimentos de atendimento, como música de espera, transferências entre departamentos e supostos protocolos de segurança. O objetivo é levar a vítima a transferir dinheiro para uma alegada “conta segura” ou a revelar credenciais, PIN e códigos de autenticação, permitindo que o próprio cliente autorize, sem o saber, o desvio dos fundos.

Em algumas variantes, os suspeitos pedem ainda a instalação de software de acesso remoto, apresentado como ferramenta de proteção, o que lhes dá controlo direto sobre o dispositivo e sobre as aplicações de banca digital.

Impacto para residentes e resposta institucional

A PSP, a GNR, o Banco de Portugal e o Ministério Público estão a difundir orientações convergentes para travar estas fraudes. Entre as recomendações estão nunca usar contactos enviados em mensagens não solicitadas, confirmar sempre os números nos canais oficiais do banco, recusar qualquer pedido de transferência para “contas seguras” e nunca partilhar códigos, palavras-passe ou PIN por telefone, SMS ou email.

As autoridades alertam também para táticas de pressão psicológica. Se o interlocutor exigir ação imediata ou ameaçar bloqueios de conta, a orientação é desligar a chamada e confirmar a situação de forma independente junto do gestor de conta ou da linha oficial do banco. Mesmo quando o ecrã mostra o nome da instituição, essa identificação pode ser manipulada.

Para os residentes em Portugal, o telemóvel tornou-se um dos principais vetores deste tipo de ataque. O risco é particularmente elevado para pessoas mais velhas ou com menor familiaridade com segurança digital, num contexto em que a GNR registou 44 burlas de “falso banqueiro” no primeiro trimestre e cerca de 300 esquemas de “falso funcionário” no mesmo período de 2026.

Quem suspeitar de ter sido alvo deve alterar de imediato as credenciais de banca digital nos canais oficiais, contactar o banco para bloquear cartões ou contas e apresentar queixa à PSP, à GNR ou ao Ministério Público. As autoridades recomendam ainda guardar mensagens, registos de chamadas e comprovativos de operações; o Banco de Portugal também recebe comunicações sobre fraude através do endereço info@bportugal.pt.

O agravamento destas burlas surge a par de outros esquemas, como falsas propostas de investimento em criptomoedas e chamadas sobre acidentes inexistentes envolvendo familiares. Para as instituições, o desafio é maior porque muitas operações recorrem a tecnologia VoIP a partir do exterior e começam a usar inteligência artificial para tornar as interações mais convincentes, o que aumenta a dificuldade de deteção e recuperação dos valores transferidos.

Na nossa publicação anterior sobre o prazo imposto pelo Banco Central Europeu para planos de cibersegurança, explicámos que os bancos sob supervisão direta — incluindo Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Novo Banco e Santander Portugal — têm até 31 de outubro de 2026 para apresentar medidas detalhadas de defesa contra ciberataques, incluindo os potenciados por inteligência artificial. O texto destacava que o supervisor exige ações imediatas e estruturais, como reforço de sistemas expostos à internet, correção acelerada de falhas e modernização de infraestruturas, sob pena de maior escrutínio e possíveis exigências adicionais após o prazo.

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