Portugal mostra maior peso das pensões na despesa com proteção social
A estrutura da proteção social em Portugal continua a ser dominada pelas pensões e pelas prestações ligadas à velhice e à doença. Em 2024, a despesa total dos regimes atingiu 72.236 milhões de euros e as receitas somaram 79.514 milhões de euros, enquanto a comparação europeia mais recente mostra um peso das pensões acima da média da União Europeia.
Destaques
- Em 2024, as receitas dos regimes de proteção social em Portugal totalizam 79.514 milhões de euros, com 42,5% provenientes da administração pública.
- As prestações sociais correspondem a 92,9% dos 72.236 milhões de euros em despesa, sendo 47,8% destinadas à velhice e 28,0% à doença.
- As pensões em 2024 representam 56,1% do valor total das prestações sociais, superando a média da União Europeia de 44,2% para este tipo de despesa.
Receitas e despesa dos regimes em 2024
Segundo o Statistics Portugal, as receitas de todos os regimes de proteção social, excluindo transferências entre regimes, totalizam 79.514 milhões de euros em 2024, com as administrações públicas a representarem a principal fonte de financiamento, com 42,5% do total. As contribuições sociais dos empregadores correspondem a 30,9% das receitas e as contribuições das pessoas protegidas a 16,6%.Do lado da despesa, o conjunto dos regimes regista 72.236 milhões de euros, também sem contar com transferências entre regimes. As prestações sociais representam 92,9% desse valor, e as funções de proteção na velhice e na doença concentram mais de três quartos do total dos benefícios atribuídos, com 47,8% e 28,0%, respetivamente.
A despesa com pensões atinge 37.677 milhões de euros em 2024, o equivalente a 56,1% do valor total das prestações sociais pagas pelos regimes de proteção social. As pensões de velhice mantêm-se como a componente mais relevante, ao representarem 78,5% do valor total das pensões.
Peso das pensões supera média europeia
O número de beneficiários de pensões situa-se em 2.942 em 2024, menos 2,4% do que o registado 10 anos antes, num movimento associado à redução dos beneficiários de pensões de invalidez. No mesmo período, o número de beneficiários de pensões de sobrevivência permanece relativamente estável, enquanto os beneficiários de pensões de velhice aumentam 3,7%.Na comparação com a União Europeia referente a 2023, Portugal apresenta uma contribuição mais elevada das pensões para a despesa em proteção social, excluindo transferências entre regimes. As pensões representam 53,6% dessa despesa em Portugal, acima dos 44,2% observados no conjunto da União Europeia, enquanto o país fica abaixo da média europeia nas prestações ligadas à habitação, desemprego e família.
No nosso artigo anterior sobre uma investigação a burla à Segurança Social, analisámos suspeitas de prestações sociais atribuídas indevidamente e de falsas carreiras contributivas para acesso a subsídios e pensões. Também acompanhámos o recurso do Ministério Público contra a extinção do processo por alegada violação do “prazo razoável”, sublinhando os riscos para a proteção dos recursos públicos e a necessidade de controlos mais eficazes.
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