Tribunal de Matosinhos condena rede de burlas “Olá pai, Olá mãe” a penas de prisão
Um esquema transnacional de fraude por mensagens enviadas sobretudo através do WhatsApp resulta em penas de prisão e perda de ganhos ilícitos em Portugal. A atividade, que decorria desde o final de 2022, gera pelo menos 146 mil euros em criptomoedas, segundo os factos dados como provados.
Destaques
- O Tribunal de Matosinhos condena o principal responsável do esquema 'Olá pai, Olá mãe' a sete anos de prisão e a mulher a cinco anos, suspensos, com expulsão de Portugal durante quatro anos.
- O casal envolvido é sentenciado a pagar ao Estado 146 mil euros, correspondentes aos lucros do crime, enquanto um terceiro arguido recebe 10 meses de prisão, suspensa por um ano, e multa de 998 euros.
- A decisão judicial prova que o esquema funcionava desde o final de 2022, utilizava criptomoedas e infraestruturas digitais, revelando alto impacto financeiro e tecnológico.
Condenações e estrutura do esquema
Segundo Correio da Manhã, o principal responsável pela rede é condenado pelo Tribunal de Matosinhos a sete anos de prisão. A mulher recebe uma pena de cinco anos de prisão, suspensa por igual período, além da expulsão de Portugal durante quatro anos.O casal é ainda sentenciado a pagar ao Estado 146 mil euros, valor correspondente aos proveitos da atividade criminosa. Um terceiro arguido, identificado como o elemento que disponibilizava entidades, referências e contas bancárias para onde as vítimas faziam pagamentos e transferências, é condenado a 10 meses de prisão, suspensa por um ano, e ao pagamento de 998 euros ao Estado.
O tribunal dá como provado que o suspeito, com a mulher, comprava cartões para telemóveis, ativava-os e disponibilizava-os de forma massiva em modems GSM. Esses equipamentos estavam configurados em aplicações acessíveis através do servidor “agente.smshub.org” para o envio das mensagens fraudulentas “Olá pai, Olá mãe”.
Impacto do caso nas burlas digitais
A fraude “Olá pai, Olá mãe” circula sobretudo no WhatsApp e assenta na usurpação da identidade de filhos ou familiares próximos para pedir dinheiro às vítimas. O método tem ganho visibilidade em Portugal por explorar relações de confiança e por induzir pagamentos rápidos para contas indicadas pelos burlões.Ao dar como provado que a operação funciona desde o final de 2022 e que gera ganhos de pelo menos 146 mil euros em criptomoedas, a decisão judicial reforça a dimensão financeira e tecnológica deste tipo de criminalidade. O caso também evidencia o recurso a infraestruturas de comunicações e a ativos digitais para sustentar esquemas de burla com alcance transnacional.
Numa operação ibérica contra uma rede de cibercrime com base operacional em Portugal, a nossa publicação noticiou o desmantelamento de um esquema associado a fraudes como falsas plataformas de investimento, interceção de comunicações e o “falso CEO”. O caso destacou a escala do desvio (com fluxos dispersos por múltiplas jurisdições), a dificuldade de recuperação de ativos apesar do congelamento de verbas, e o papel de “mulas de dinheiro” e contas bancárias na rápida circulação de fundos.
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